Movimento Operário

BALANÇO DO DÉCIMO CONGRESSO DE METROVIà RIOS DE SP

Ainda é tempo de preparar a categoria para a dura luta contra o governo e a empresa

29 Apr 2012   |   comentários

Ocorreu nos dias 13, 14 e 15 de Abril o 10º Congresso dos Metroviários de São Paulo, cerca de um mês antes da campanha salarial da categoria. Nós, da LER-QI, junto com metroviários independentes, apresentamos uma tese no sentido de preparar os trabalhadores para a luta na campanha salarial, colocando as tarefas mais importantes do momento. Para nós, é fundamental colocar como eixo a luta contra a política do governo do PSDB de privatização, que já se iniciou com a Linha 4 – Amarela (concedida ao grupo CCR) e vem se aprofundando tanto a partir das tentativas de PPPs (na Linha 5 - Lilás e nas novas linhas que surgirem), quanto através da privatização mascarada que se dá pela terceirização e precarização do trabalho. Por isso defendemos uma ampla campanha contra a privatização, pela estatização imediata da Linha 4 – Amarela e pela incorporação dos terceirizados e precarizados com iguais direitos e salários ao quadro de efetivos do Metrô, sem necessidade de concurso! Além disso, devemos lutar pela equiparação salarial entre funções iguais, retomando a luta do ano passado, na qual conseguimos a equiparação apenas para um setor da categoria.

Para travar essa luta, sabemos que nossos inimigos, a direção da empresa e o governo do estado, são fortes e têm a justiça burguesa ao seu lado para tentar nos impedir de fazer greve. Daí a necessidade de nos aliarmos aos usuários do Metrô, fazendo uma ampla campanha pela redução da tarifa e retomando o método de abertura de catracas! Nos espelhamos na luta duríssima que travaram os metroviários de Buenos Aires, quando conquistaram, pelo método de abertura de catracas e aliança com a população, a incorporação de todos os terceirizados com os mesmos direitos e salários, além de conquistar a jornada de trabalho de 6 horas. Foi através do combate àburocracia sindical e da construção de um conselho de delegados eleito democraticamente e controlado pelos trabalhadores, que os metroviários argentinos conseguiram unificar os trabalhadores e ganhar essa batalha.

Um Congresso que não preparou a categoria para demonstrar sua enorme força social

Pelo contrário, o Congresso de Metroviários de São Paulo não discutiu essas questões, e nem avançou em preparar a categoria para a campanha salarial. O eixo da discussão foi a desfiliação da governista e burocrática CTB, que, apesar de ser um eixo muito importante, se deu em detrimento da discussão política e programática para armar a categoria, demonstrando que a maior preocupação do sindicato (dirigido pelo PSTU e PSOL majoritariamente) e das correntes governistas de oposição (PCdoB e PT) era uma disputa estéril de aparatos. Repetiu-se a mesma política que levou àtentativa fracassada de unificação da Conlutas com a Intersindical no CONCLAT de 2010, justamente por conta de interesses de aparato que se sobrepuseram às necessidades discussões políticas da luta de classes. O resultado é que agora ficaremos 2 anos sem filiação a nenhuma central (pois não foi votada a filiação àCSP-Conlutas), isolados das demais categorias, e despreparados para enfrentar as lutas que virão.
Achamos que ainda é tempo de reverter essa situação e para isso devemos desde já organizar a categoria pela base, com reuniões setoriais, eleição de um comando de mobilização que prepare a categoria para a guerra que significará uma greve no Metrô de SP, lutando pela aliança com os usuários, contra a privatização e pela unidade das fileiras operárias. O Congresso da CSP-Conlutas pode e deve aportar nesse sentido para os trabalhadores metroviários e das demais categorias.

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