Movimento Operário

ARGENTINA - METRÔ BUENOS AIRES

Abaixo o aumento de tarifas contra os trabalhadores e setores populares

27 Dec 2011 | Em tempos de aumento de passagem em diversas cidades de nosso país, metroviários na Argentina dão exemplo de luta, unificando trabalhadores e usuários. Frente o aumento de 123% do valor do bilhete, os trabalhadores decidem iniciar uma jornada de lutas com abertura de catracas durante toda essa semana, nos horários de pico, para que todos entrem de graça no metro. Leia a matéria de Claudio Dellecarbonara, metroviário e delegado sindical da linha B do Metrô de Buenos Aires que participa ativamente dessa luta.   |   comentários

- ESCUTE AQUI entrevista exclusiva com Claudio Dellecarbonara

O aumento de tarifas que o governo de Macri acaba de anunciar é uma verdadeira provocação contra os usuários, em sua imensa maioria trabalhadores, muito deles terceirizados e provenientes de setores populares. Esta medida, em consonância com os ataques do governo nacional em vários estados e contra os trabalhadores estatais do país, é o resultado do recente acordo entre o governo de Macri e de Cristina Kirchner para manter os lucros da patronal parasita dos Roggio com o subsídio de quase 800 milhões de pesos que se comprometeram a entregar a eles em partes iguais para este ano.

Nós trabalhadores não temos porque garantir com nosso sacrifício os milhões que eles tem ganhado ano após ano. Seu único interesse é lucrar com o mau serviço aos usuários e tanto o governo nacional como o da cidade foram cúmplices.

Na confusão generalizada de argumentos entre macristas e kirchneristas se mostram algumas verdades. São certas as acusações do governo nacional contra o da cidade por haver pegado um crédito internacional para realizar extensões e obras que nunca se iniciaram, e não é menos certo que a continuidade da concessão nas mãos de Metrovías, incluindo a falta de controle dos nulos investimentos e falta de manutenção, a cumplicidade nas negociatas com os subsídios, é responsabilidade do governo nacional. Caso se deixasse de subsidiar aos Roggio não seria necessário semelhante aumento das tarifas. Por isso é necessário acabar com a privatização menemista, reestatizar o metrô e colocá-lo sob controle dos únicos interessados e comprometidos com o bom serviço que são seus trabalhadores e usuários.

É que o acordo entre ambos os governos, que Schiavi qualificou em seu momento como “um esforço compartilhado†se baseia em manter as negociatas dos grandes capitalistas fazendo os trabalhadores pagarem os custos do fracasso de um sistema de subsídios herdados da década menemista que lhes garante alta rentabilidade com baixo investimento privado. Assim a patronal de Metrovías incrementou seus lucros sem se preocupar com a melhora do serviço mas sim com receber maiores aportes estatais. Agora, quando o governo necessita mais “caixa†encontrou o momento propício para que “Macri seja Mauricio†: 24 horas depois do acordo lança o aumento das tarifas, de 127% do custo da passagem. O único “esforço compartilhado†que visam é o dos trabalhadores e usuários.

Que o Metrô volte para o Estado, sob controle dos trabalhadores e usuários

Nós, trabalhadores do metrô, rechaçamos o aumento das tarifas e qualquer pretensão de atacar as conquistas dos trabalhadores. É necessário organizar assembléias de emergência para votar medidas de luta que permitam unir os trabalhadores e usuário, como a abertura de catracas de forma progressiva até derrotar o aumento. É necessário, desde a CD [Comissão Diretiva] e as organizações operárias, estudantis e políticas comprometidas com a causa dos trabalhadores e usuários, colocar de pé ações e uma campanha sistemática para que este objetivo se cumpra.

Contrariamente ao acordo que tem o governo nacional com o da cidade, exigimos conhecer os custos operativos reais do metrô, para discutir qual é a verdadeira necessidade dos valores tarifários. Mas isso é impossível enquanto Metrovías se encontre responsável pelo serviço. Pelo contrário, o Estado, sem financiar a patronal, deveria garantir um sistema de transporte controlado pelos trabalhadores que fazem funcionar diariamente o metrô, que podem garantir um serviço econômico para a população e destinar os recursos comuns (seja de aportes estatais ou de excedentes do custo do bilhete) a uma melhora da infraestrutura do serviço. A única saída favorável é a estatização definitiva do Metrô com uma administração direta pelos trabalhadores e usuários.

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