Internacional

A verdadeira origem da gripe suína: como combatê-la

05 Jul 2009   |   comentários

Se o problema é a baixa imunidade, se o problema são as condições e a exploração do trabalho em si mesma e todo o estresse e carências daqui derivados, se o problema são os interesses do grande capital controlador da indústria de carne, rações, alimentos, medicamentos e artigos médico-hospitalares, porque eles nunca estão no foco, na linha de fogo, por que não são considerados como são, os verdadeiros vilões da peste suína e de tantas outras pestes? Essa é que é a questão-chave.

E a resposta a essa questão do ocultamento dos grandes culpados é simples.
São eles os controladores do Estado, são essas grandes corporações e oligarquias económicas ’ as mesmas que desfrutam da barbárie acima mencionada ’ elas e o Estado e a mídia que elas controlam, são os que não têm nenhum interesse em encarar a gripe suína e qualquer ameaça de epidemia viral como ela é, e sim como mais um nicho de lucro, de acumulação do capital.

Por isso a espetacularizacão midiática destaca o vírus por um lado e consagra aquela estratégia sanitária falida, da OMS, dos ministérios da saúde, por outro. Por isso não abrem a pauta para a discussão de que outra agricultura é possível, outro modo de produzir alimentos é possível e que o modo atual de produzir, em bases capitalistas, em um ambiente onde tudo vira mercadoria e objeto do lucro, além de anti-social é ecologicamente insustentável e mais: de todo ponto de vista ’ do homem ou dos animais ’ é pura barbárie.

A conclusão disso tudo é mais ou menos clara: a grande ameaça, a verdadeira ameaça detrás do vírus anunciado, de cada praga anunciada e de outros tormentos crónicos que assistimos todos os dias e que vêm matando mais do que as pragas virais, é o domínio do capital, é o controle dos meios de produção de carnes, alimentos e da indústria e do complexo genético-farmacêutico-hospitalar através do grande capital. O papel da ideologia é esconder os responsáveis, inverter os papéis, desviar a atenção das massas para o essencial. Por isso o foco de todos os semanários brasileiros, por exemplo, foi o vírus. O capitalista (e sua mídia amestrada) só pode enxergar o vírus, só quer enxergar o vírus, não pode ver além daquilo que lhe traz lucro, capital e poder.

Ora isso leva a acreditar que não existe a menor perspectiva de impedir que estoure uma ameaça viral de grandes proporções enquanto esses oligopólios e sua sede de lucro não forem detidos. Enquanto as vítimas preferenciais dessas pestes não se mobilizarem ’ sobretudo a classe trabalhadora ’ contra os que lucram com o vírus e apesar do vírus.

Vale dizer: até aqui a produção de alimentos e a indústria em geral vieram sendo comandadas por pequenos grupos de grandes capitalistas e financistas. A produção é socializada, globalizada, mas a apropriação do lucro é privada e apropriada por núcleos cada vez menores de grandes capitais. O que se tem visto como resultado é a naturalização das pestes e do sofrimento cotidiano para quem vive do trabalho, o resultado é a normalização da barbárie.

A conclusão política é meridiana

Mais lucro, cada vez menos custos: este é o vírus (o capital) que engendra monstros genéticos como o da gripe suína, asiática, vaca louca, as aberrações da guerra bacteriológica e também que nos envenena com seus transgênicos, pesticidas, agrotóxicos e carnes encharcadas de hormónios, antibióticos e todo tipo de pseudo-alimentos; o nome do pesadelo é produção capitalista de alimentos.

Ou a indústria e a produção em geral passam a ser planificadas, obedecem a um plano social sob o comando dos trabalhadores ou marcharemos, todos, para pragas, tormentas, devastações e vírus recombinantes que farão a peste suína parecer apenas um mini-ensaio da catástrofe generalizada, produzida não pelo “homem†em geral como pretende a miopia política de certo ecologismo, mas pelo crescente custo social e ambiental da simples existência do imperialismo e das oligarquias capitalistas (em outras palavras, da falta de um poder dos trabalhadores, a única forma de deter a crónica dessas pestes anunciadas).

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