Quinta 18 de Julho de 2019

Movimento Operário

UM DEBATE COM A LIT E O PSTU

A unidade dos trabalhadores não se resolve com medidas organizativas

11 Dec 2007   |   comentários

Os dirigentes da LIT (tendência internacional dirigida pelo PSTU), no artigo "Uma velha proposta de Trotsky" [1] afirmam que o Encontro Latino-americano e Caribenho de Trabalhadores “pode se transformar num fato histórico para os trabalhadores latino-americanos e caribenhos†, definindo-o como “um passo muito importante para a construção de uma organização sindical continental†[2], para fazer frente, como indicam, ao processo de reorganização das principais organizações sindicais do continente ’ CSI e FSM ’ dirigidas pelas burocracias sindicais governistas e patronais [3]. No site deste partido pode-se ler na convocatória ao Encontro o objetivo de “construir uma Coordenação institucional, sindical e popular†.O que significa uma coordenação “institucional†? Institucionalizada pela representatividade real entre os trabalhadores ou por “reconhecimento legal†?

O artigo de Trotsky, que os dirigentes do PSTU e da LIT utilizam, começa tratando justamente do problema da representatividade real, não meramente “institucional†. No primeiro parágrafo, falando de um Congresso organizado pelos stalinistas, já denuncia “que este congresso, preparado pelas costas das massas, foi utilizado unilateralmente com propósitos que nada tem a ver com os interesses do proletariado latino-americano†. Em sua opinião, a “[CTL ’ Confederação de Trabalhadores Latino-americanos] criada neste congresso não representa a unificação do proletariado organizado de nosso continente, mas sim uma fração política (...)†, porque a maioria do proletariado não estava representada, já que os grandes sindicatos e centrais não foram convidadas nem admitidas ao congresso. Ele faz questão de lembrar que a Casa do Povo (que reunia o sindicalismo revolucionário), a Confederação Regional de Operários Mexicanos (CROM) ’ uma central sindical “moderada e oportunista†’, e até a CGT, a central sindical “mais poderosa do México†, além de diversas “organizações sindicais de todos os países latino-americanos (...) desde o começo foram deliberadamente alijadas dos preparativos prévios ao Congresso, para não romper sua homogeneidade política†[4]. Numa entrevista alguns dias antes, Trotsky desmascarava que “o congresso não se compõe de delegados eleitos pelas massas. As tarefas do congresso não foram discutidas pelas massas. O trabalho organizativo é realizado por trás das cortinas†, prognosticando que seria “um congresso da burocracia operaria cuidadosamente selecionada†[5].

Para Trotsky, a questão da democracia proletária, isto é, a participação ativa da massa de trabalhadores nos sindicatos, eleição de delegados entre os trabalhadores, discussão de toda a preparação, propostas, programa, objetivos e métodos, num congresso ou encontro proletário era um princípio imprescindível e não meros “pontos†organizativos, pois deveria representar a tarefa política da unificação do proletariado e não os interesses das frações, tendências ou correntes sindicais e políticas. Esta tarefa política não pode ser resolvida com medidas organizativas ou fusões de aparatos, em encontros e congressos onde as massas trabalhadoras e os setores mais avançados sejam meros “figurantes†. Por exemplo, o problema político de enfrentar a CSI, onde estão a CUT, a CGT e a CTA argentinas, entre outras, exigiria que o Encontro Latino-Americano de Trabalhadores tivesse àfrente as comissões internas, corpos de delegados e oposições sindicais que avançam contra esses burocratas argentinos, para que pudéssemos discutir essa rica experiência e avançar para unir e coordenar um movimento antiburocrático continental com programa e métodos para a luta de classes contra as burguesias e o imperialismo.

[1Uma velha proposta de Trotsky. LIT-QI ’ Liga Internacional dos Trabalhadores ’ Quarta Internacional. www.pstu.org.br.

[2Entidades convocam Encontro Latino-Americano e Caribenho dos Trabalhadores. LIT-QI ’ Liga Internacional dos Trabalhadores ’ Quarta Internacional. www.pstu.org.br.

[3Em novembro de 2006 foi criada a CSI (Confederação Sindical Internacional), da qual fazem parte: CUT, Força Sindical, UGT (Brasil), CTA e CGT (Argentina), CGT, CFDT e CFTC (França), entre outras centrais social-democratas e cristãs. Em março de 2008 está previsto um congresso de “unificação do sindicalismo no continente americano†, fundindo a CSI, a CLAT (Confederação Latino-americana de Trabalhadores) e a Orit (Organização Regional Interamericana de Trabalhadores). A Federação Sindical Mundial (FSM) sempre foi o aparato dos stalinistas, tendo entre seus membros, hoje, a UNT venezuelana, a CGTB brasileira, a CTC de Cuba, entre outras organizações.

[4Leon Trotsky. “Las tareas del movimiento sindical em América Latina†publicado no livro Escritos Latinoamericanos. Leon Trotsky. CEIP Leon Trotsky. Buenos Aires, Argentina. 2000. 2ª edição, pág. 113-116. www.ceip.org.ar

[5“El congreso sindical montado por el PC†, 27/08/1938. Publicado no livro Escritos Latinoamericanos. Leon Trotsky. CEIP Leon Trotsky. Buenos Aires, Argentina. 2000. 2ª edição, pág. 85. www.ceip.org.ar

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