Quinta 18 de Julho de 2019

Juventude

1º reunião da Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre

A situação exige mais: vamos pras ruas contra o golpe em Honduras e em apoio às lutas dos trabalhadores!

26 Sep 2009   |   comentários

A reunião se realizou nos dias 12 e 13 de setembro, com mais de 300 estudantes, entre militantes do PSTU, que segue sendo direção amplamente majoritária, do Movimento A Plenos Pulmões, do grupo de mulheres Pão e Rosas, além de dezenas de independentes (em sua maioria das universsidades federais) e outras organizações. Expressou-se, assim como no Congresso Nacional de Estudantes que reuniu quase 2000 estudantes, que há uma série de independentes buscando coordenar-se nacionalmente, papel que a UNE não cumpre há tempos.

É a necessidade urgente dessa coordenação, que para nós tem que ser combativa, pelo fim do vestibular e do ensino pago, pela auto-organização e aliada aos trabalhadores nas suas lutas, na perspectiva de um movimento estudantil anti-capitalista e revolucionário, que nos faz participar deste espaço, dando continuidade àluta que travamos no CNE apesar de todas as diferenças que temos com sua direção majoritária. Neste artigo, queremos abrir um debate sobre a necessidade de os estudantes combativos de todo o país, que estão dentro ou fora (que são muitos) da ANEL, construirmos juntos uma ala com essa perspectiva na ANEL.

Honduras escuta, sua luta é nossa luta!

Esse foi o canto que puxamos em defesa da resistência, como parte da luta política para que a ANEL impulsionasse uma grande campanha, rompendo o silêncio do movimento estudantil frente ao golpe reacionário. A resolução aprovada, por proposta nossa, foi de se fazer adesivos e camisetas com o lema “Derrotar o golpe nas ruas! Todo apoio àresistência do povo hondurenho!†e fazer campanha financeira nas entidades estudantis para enviar para a resistência. Nossa proposta era, além disso, a de realizar atos coordenados em todo o país com este eixo, dentro de duas semanas, e apesar de a resolução anterior ter votado que era necessário “Derrotar o golpe nas ruas†o PSTU defendeu contra “porque não era possível†. Os novos acontecimentos em Honduras, envolvendo o próprio Brasil, nos obrigam a sair nas ruas contra os golpistas e seu toque de recolher! Um movimento estudantil que, frente àcrise capitalista, não seja capaz de prestar solidariedade internacionalista contra qualquer golpe, não pode ser digno de ser chamado de novo.

Projeto de lei?! Só se for saindo às ruas e pelo fim do ensino pago e do vestibular!

Na reunião, o PSTU, fez um balanço público de que havia cometido um erro ao não levantar um programa pela positiva frente ao REUNI e colocou todo o eixo na aprovação da elaboração de um Projeto de Lei (PL) “pela expansão do ensino público com qualidade†. Ou seja, apesar do passo àfrente de reconhecer, muito tardiamente, o quão equivocado era se limitar àdefesa da universidade tal como ela é, não avançaram para um programa de democratização real do acesso.

Se por um lado não estamos contra um PL como tática, não concordamos em colocar como centro do movimento uma pressão parlamentar por um PL que nos termos que apresenta o PSTU será um “novo REUNI†, afinal se não deixamos claro que se trata de lutar pelo fim do vestibular e do ensino pago, a “expansão do ensino público com qualidade†pode ser a “universidade para todos†do governo de Lula, gerando ainda mais ilusões parlamentares nos estudantes. Acreditamos na mobilização direta dos estudantes, saindo às ruas, com a clareza de que aqueles que estão dentro da universidade devem lutar pelos que estão fora, unificando a juventude universitária, secundarista e trabalhadora, ligando cada pauta àuma saída de fundo. Só assim a ANEL poderá se apresentar como uma alternativa não somente para os estudantes das universidades públicas, mas para os mais de 70% de universitários que estão nas pagas, não deixando mais que eles sigam tendo a UNE burocrática e governista como sua expressão superestrutural.

Ainda assim, a luta pela democratização radical das universidades passa por questionar sua estrutura de poder, que são verdadeiras ditaduras docentes. Sobre isso, se expressaram dois programas: o PSTU defendendo a paridade, que é o programa histórico do petismo que está atrás até da revolução francesa (uma pessoa, um voto!), e o nosso, defendendo um governo tripartite com maioria estudantil. Deve-se agora levar àfrente a resolução dessa reunião de abrir o debate sobre que programa defender para a estrutura de poder, em primeiro lugar na USP, onde haverá eleições para reitor e o Sintusp, DCE e APG estão organizando um boicote através da anti-candidatura de Chico de Oliveira.

Por uma aliança com os trabalhadores para além dos discursos e calendários

O PSTU mais uma vez discursou muito pela unidade com os trabalhadores, mas nada se votou concretamente em apoio às lutas em curso para além de algumas moções. Insistiram na aliança através de calendários unificados com a Conlutas e nada mais. Travamos uma luta para que o exemplo que se deu na USP de aliança operária-estudantil se generalizasse e que se fizesse grandes campanhas contra as demissões, como foi aprovado no CNE. Não se pode repetir a apatia, por exemplo, frente às 4270 demissões na Embraer. Foram ataques àbase da Conlutas que não tiveram resposta nas universidades. A burguesia não segue nossos calendários! Por comitês de apoio às lutas dos trabalhadores em cada local de estudo e ações concretas de solidariedade!

Um debate qualitativo sobre opressões que também precisa se transformar em realidade

Quase 200 estudantes participaram de um GT das 21:30 à0:00, onde Clarissa Menezes, do Pão e Rosas esteve na mesa apresentando as lutas impulsionadas pelas companheiras dessa agrupação. Se votou “Que a ANEL tome com centralidade uma grande campanha pelo direito ao aborto, dizendo “ basta de Mulheres mortas por abortos clandestinos!†, se colocando na linha de frente das mobilizações do dia 28 de setembro†. Acreditamos que essa coordenação que estamos construindo deve ter em seu centro a luta contra todas as formas de opressão.

Por uma campanha efetiva contra a repressão ao povo pobre e pela dissolução da PM!

Para que o movimento estudantil se coloque na prática ao lado do povo reprimido pela polícia, levantando as bandeiras democráticas da população numa perspectiva não corpotativista, propusemos “Organizar a campanha contra a repressão nas favelas frente aos acontecimentos em Heliópolis, Paraisópolis, Capão Redondo, Morro da Providencia e a cada nova revolta popular, a ANEL organizar atos de solidariedade, com os seguintes eixos: Fora a Polícia das favelas, dissolução da polícia e pela punição dos assassinos†. Essa resolução aprovada por unanimidade não pode virar letra morta. Esperamos que o PSTU tenha mudado seu programa frente àpolícia assassina, deixando de defendê-los comos se fossem “trabalhadores†como qualquer outro, e isso não tenha sido uma manobra para não defender a PM frente àjuventude que a odeia. Coloquemos de pé ações desde já, começando por denunciar estes processos através da ANEL e organizando atos contra a repressão recente em Manguinhos, no Rio de Janeiro, onde a PM está invandindo as casas e roubando as pessoas.

Construamos uma ala combativa, revolucionária e pró-operária na ANEL

Como se vê, a ANEL é um espaço onde vem se organizando importantes setores do movimento estudantil nacional e há chamamos os estudantes a construirmos uma forte ala que se contraponha as políticas do PSTU, quando este se nega a dar passos efetivos na luta de classes e no programa e que possa assim garantir que as resoluções progressivas votadas sejam implementadas.

É preciso superar o cenário de que o movimento estudantil universitário de São Paulo esteve representado na reunião praticamente só pelos militantes do PSTU e da A Plenos Pulmões e o Pão e Rosas, apesar de que vem sendo vanguarda dos processo de recomposição e lutas . Isso se deve ao papel que o PSTU vem cumprindo nas lutas, sendo um obstáculo aos setores combativos como na ocupação da USP de 2007, por exemplo, e porque o CNE se deu em meio àgreve das estaduais totalmente descolado dela. O abstencionismo tem que acabar. Não há movimento estudantil verdadeiramente combativo que não tenha uma política para se coordenar nacionalmente para lutar em defesa da educação pública de qualidade e aliar-se aos trabalhadores para fazer com que a crise seja paga pelos capitalistas.

Essa foi a principal discussão que fizemos sobre a ANEL na última plenária do Movimento A Plenos Pulmões e avançamos na discussão sobre a necessidade de aprofundar nossa batalhar nesse sentido, partindo de dar um exemplo na construção das coordenações estaduais onde estamos presentes e chamando os mais amplos setores para lutar juntos por essa perspectiva.

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