Domingo 21 de Julho de 2019

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A roda histórica e o II Congresso do NPA francês – por um partido operário revolucionário e internacionalista

05 Feb 2011   |   comentários

Apresentamos a Plataforma 4 para o II Congresso do NPA. Por uma ferramenta revolucionária dos trabalhadores

Pouco precisa-se olhar para perceber que a crise capitalista internacional não chegou a seu fim: ainda que vez ou outra nos façam querer crer que tudo vai muito bem nas prateleiras do mercado mundial. Os países europeus são a própria insolvência, e a crise da dívida por um momento aparentemente Grega, agora atinge a todos. O megainvestidor norte-americano George Soros declarou que não mais se pode esperar para reestruturar a dívida européia (dar o calote, em termos menos diplomáticos), sob duros riscos de quebradeira geral num futuro próximo. Se bem podemos perceber que a crise se desenvolve de maneira desigual pelo mundo, segue, entretanto, sem cessar seu aprofundamento.

Não descolada deste cenário surge a onda revolucionária no Oriente Médio e Norte da à frica e abrem passos àprimavera árabe. As condições de miséria a que foram levadas esta gente pelas mãos imperialistas de EUA, França e outros países europeus, fez estourar o mais importante conflito entre as classes desde o início da crise capitalista. Imperialismo de um lado, representados pelas mãos duras das ditaduras locais, e trabalhadores e jovens do outro. Já se foram ou estão por ir Ben Ali (Tunísia) e Mubarack (Egito). E as revoltas populares disseminam-se como um vírus e dá um salto àdoença capitalista. O barril de pólvora resolveu acender-se .

Sob força histórica de uma realidade que insiste em caminhar a passos largos, e sob a pujança da própria realidade nacional, é que se realizará o II Congresso do Novo Partido Anticapitalista (NPA) francês. Desde a FT na França, junto a importantes setores operários, como Manu Georget delegado da fábrica Philips Dreux, que passou por uma importante experiência de controle operário no ano passado e que recentemente fechou as portas, e Vincent Duse, operário da fábrica Peugeot de Mulhause (com mais de 10 mil operários), construímos o Coletivo por uma Tendência Revolucionária no NPA (CTR), desde a qual apresentou-se a Plataforma 4 para o congresso. “Era necessário levar adiante um combate no plano ideológico e político, para que o NPA se torne um partido revolucionário, um partido que assimile a tradição dos grandes pensadores marxistas revolucionários, de Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Lênin e Trotsky, e que seja uma ferramenta real nas mãos dos trabalhadores conscientes para derrocar o capitalismo e destruir seu Estado e para construir o seu próprio governo†, desde este ponto de partida, formou-se a plataforma 4, cujas experiências e algumas lutas políticas e estratégicas apresentamos neste artigo.

O outono francês e o debate estratégico no NPA

A crise capitalista tem reavivado a premissa de nossa época histórica: a de crises, guerras e revoluções. Se sem dúvida a época da “restauração burguesa†– as três décadas sem processos revolucionários, a restauração capitalistas nos antigos estados operários, de derrota histórica da classe operária etc. – não é ainda corroída de maneira homogenia em todo o mundo, sem dúvida a França é o país imperialista onde esta época mais pode se aproximar de seu fim. A importante luta do último outono na França, recolocou em cena acalorados debates estratégicos dentro da esquerda. A disposição de setores de vanguarda mais combativos da classe operária de ir até o final para derrotar o governo direitista de Sarkozy; a aparição de assembléias interprofessionais; a disposição de amplos setores àgreve geral por tempo indeterminado; a entrada da juventude em cena em apoio aos trabalhadores, entre outros elementos, elevou esta jornada a um patamar superior da luta de classes na França em relação às últimas décadas.

Verdade é que a extrema esquerda chegou má preparada (inclusive estrategicamente) a este conflito. O próprio NPA teve uma política pouco além do seguidismo às direções sindicais burocráticas (principalmente CGT e CFDT), que em nenhum momento se colocaram pela retirada da reforma previdenciária de Sarkozy, senão que a queriam retocar - até que o próprio aburguesado Partido Socialista se colocou contra a reforma de conjunto, arrastando consigo as direções sindicais -, e cumpriram o papel de frear os ânimos dos trabalhadores e ao final terminaram traindo a luta. O ceticismo diante da classe operária, a deriva estratégica do trotskismo liquidacionista que deu origem ao NPA (ex-LCR), sem delimitação de classe clara e sem princípios fundadores, foram as bases que preparam o partido para este conflito.

Desde a CTR se propõe um giro radical no partido, que se distancie da estratégia eleitoralista , hoje majoritária, e se torne de fato um partido operário revolucionário, integrado pelos elementos mais avançados da nova vanguarda operária que vem surgindo. Da “revolução nas urnas†propõe orientar o partido para construir o governo dos trabalhadores, embasado nos métodos de sua luta revolucionária, que exproprie os capitalistas e faça tombar o seu Estado . Ao contrário do discurso da maioria da direção do NPA de que a época da Revolução de Outubro está encerrada, a CTR encontra em suas lições a construção do futuro comunista.

Para enfrentar a crise capitalista desde uma resposta de classe, só uma análise marxista da realidade, que apreenda as reais contradições engendradas pela sociedade capitalista pode apontar corretamente o programa a ser levantado. A indefinição do NPA entre marxismo e keynesianismo; reforma ou revolução, o leva a defender um programa claro de conciliação de classe e de melhoras das condições de vida em marcos capitalistas. Negociam as penúrias dos trabalhadores, se limitando a lutar por melhores salários e pela expansão das cooperativas, numa forma de “economia social†. Contrariamente, a Plataforma 4 defende que o NPA seja a ferramenta dos trabalhadores que os ajude em sua tarefa histórica, levantando um programa que transite das necessidades mais básicas dos trabalhadores àconstrução de seu próprio governo em chave revolucionária. Lutar pela redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, que avance para a expropriação dos capitalistas e coloque os meios de produção sob o controle dos trabalhadores, só a partir destas perspectivas a classe operária pode se tornar a força da emancipação humana frente àcrise capitalista.

Frente àprimavera árabe: por um internacionalismo revolucionário

Criminosamente o NPA vem tendo a política de pressão a Sarkozy diante das jornadas no Magreb. Esquece-se que a França é a principal força imperialista na região e tem nas ditaduras seus aliados para a estabilidade política e social no mundo árabe; além de ser a força motriz da espoliação imperialista destas semi-colônias. Contrariamente, a Plataforma 4 enxerga em seus irmãos de classe, os operariados tunisiano e egípcio, e não em seu “irmão†de nação e inimigo de classe/morte Sarkozy, a resolução das etapas abertas no mundo árabe.
“Não haverá uma verdadeira solução sem a auto-organização dos trabalhadores, seu armamento contra as milícias do regime, o combate para terminar com a tutela do imperialismo francês, a expropriação dos grandes grupos capitalistas, a reconstrução da economia a serviço das necessidades do povo†. Assim, desde a CTR, colocam-se contra toda a política imperialista do governo francês e da UE e a mais audaz solidariedade internacionalista àclasse operária árabe é posta no marco da luta pelo fim da UE, este conjurado reacionário de imperialismos, e na luta para por de pé, desde a classe operária, os Estados Unidos Socialistas da Europa, a partir de uma revolução operária que se estenda de país em país. Cenário somente possível frente àreconstrução do partido da revolução internacional, a IV Internacional, fundada por Léon Trotsky que diante da débâcle capitalista apresente o programa do marxismo revolucionário e organize o proletariado internacional para sua emancipação.

As lutas no Magreb e a situação ainda mais profunda no Egito, principal chave para o controle político da região, colocam sem dúvida a situação mundial em outro patamar. A crise mundial que até então vinha se desenvolvendo de maneira desigual em relação àluta de classes e às relações entre as potências, agora traz consigo a contradição de ter que enfrentar um acirramento da luta de classes numa das regiões mais instáveis politicamente, e economicamente importante para a economia mundial (com as ricas reservas de petróleo do Oriente Médio). O efeito de contágio coloca não só em risco a região, mas também a Europa e pode reacender o fogo na França. As lições da revolução de Outubro que a maioria do NPA quer apagar e a Plataforma 4 resgata são o nosso marco para nos orientar nesta situação!

1- Ver artigos sobre o mundo árabe neste jornal.

2- Entrevista a Manu Georget e Vincent Duse em http://www.ft-ci.org/article.php3?id_article=3204?lang=es

3- Querem a carne de Shylock, mas sem uma gota de sangue (Shakespeare, O Mercador de Veneza). Não a terão nunca.

4- Veja as declarações da CTR no site da FT-CI www.ft-ci.org

5- Declaração da CTR, “Por un internacionalismo revolucionário†em http://www.ft-ci.org/article.php3?id_article=3341?lang=es

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