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ATAQUES AOS DIREITOSTRABALHISTAS

Centrais sindicais e Dilma2: amor e ódio

06 Feb 2015 | Para proteger “seu†governo, as direções sindicais governistas não organizaram nenhuma paralisação de trabalhadores, já que uma demonstração mais contundente de força da classe trabalhadora poderia alimentar as instabilidades políticas que já sobram em função da crise da Petrobrás, da crise da água, do risco de apagão, da crescente inflação, do aumento das demissões, e um longo etc.   |   comentários

A relação entre o governo e as centrais sindicais frente ao pacote de ajustes e as leis que retiram direitos dos trabalhadores.

Para eleger Dilma, as centrais sindicais governistas venderam a ilusão de que esta, ao contrário do PSDB, não atacaria os direitos dos trabalhadores. A própria Dilma respaldou essa promessa. No dia 30 de dezembro, essa mesma Dilma decretou duas leis dificultam o acesso ao seguro-desemprego e a benefícios previdenciários. Desde então, esses dirigentes sindicais escrevem textos e fazem discursos dizendo que não aceitarão ditos ataques. Chegaram a realizar duas reuniões com ministros do governo e realizaram protestos em distintas cidades do país no dia 28 de janeiro.

Na primeira reunião ministerial do ano, Dilma insistiu em dizer que mentem aqueles que a acusar de retirar direitos dos trabalhadores. Os próprios ministros designados a negociar com as centrais sindicais já deram distintas mensagens sinalizando a disposição para alterar o conteúdo das medidas. Essa foi a base em que, sem citar uma fonte precisa, jornalistas do mundo político passaram a dizer que nos bastidores do Palácio do Planalto se planejava um recuo parcial nas novas exigências para a obtenção do seguro-desemprego. Entretanto, na segunda reunião com os ministros, realizada na última terça-feira (3/2), manteve-se o conteúdo original das medidas.

Os pacotes de retirada dos direitos estão claramente avalizados pela própria presidente. As medidas recessivas e os aumentos de tarifas do novo ministro da economia, Joaquim Levy, que levarão mais desemprego e queda da renda, são integralmente apoiados por Dilma.

O governo, para atender os interesses capitalistas, precisa avançar sobre os direitos dos trabalhadores mais do que as centrais sindicais podem aceitar sem gerar maiores crises com suas bases. As centrais sindicais, por sua vez, apesar de precisarem defender seu prestígio junto às bases, têm receio de desatar processos de mobilização que posteriormente tenham dificuldade de controlar. Também por isso elas evitam, como o diabo a cruz, qualquer ligação entre a luta contra os ajustes e a crise da água, mesmo sendo ambas crises motivos muito sensíveis para alimentar eventuais explosões sociais.

Particularmente os dirigentes sindicais governistas ainda tentam convencer os trabalhadores de que existem duas alas dentro do governo, uma àesquerda e outra àdireita, e que por isso seria necessário apoiar e fortalecer a primeira contra a segunda. Para proteger “seu†governo, ditas centrais sindicais não organizaram nenhuma paralisação de trabalhadores, já que uma demonstração mais contundente de força da classe trabalhadora poderia alimentar as instabilidades políticas que já sobram em função da crise da Petrobrás, da crise da água, do risco de apagão, da crescente inflação, do aumento das demissões, e um longo etc. Diferentemente, direções sindicais mais ligadas àoposição burguesa, ainda que de forma controlada, se dispuseram a fazer algumas paralisações parciais, como vimos em automobilísticas do Paraná no dia 28.

Existem dois resultados possíveis para esse choque de interesses entre as centrais sindicais e o governo, que por sua vez dependerão de como evoluirá a crise econômica. Caso o governo precise sustentar ou avançar ainda mais em novos ataques, podemos vivenciar novos chamados de mobilização por parte das centrais sindicais, eventualmente até mesmo mais contundentes. Foi o que a burocracia sindical se viu obrigada a fazer, por exemplo, frente àdemissão em massa de 800 trabalhadores que a patronal da Volkswagen tentou implementar no início do ano. Ainda assim, o objetivo da burocracia sindical nunca vai ser desatar uma mobilização independente para transformar realmente barrar toda e qualquer forma de ataque aos trabalhadores. Assim como ocorreu na Volks, a burocracia vai construir uma mobilizações sob medida para entregar uma parte menor dos direitos dos trabalhadores, mas uma parte enfim.

O outro cenário possível é o de que o governo possa abrir mão de parte dos ataques propostos por hora, implementando apenas uma parcela dos mesmos. Nesse caso, as centrais sindicais vão cantar vitória sobre algum recuo parcial do governo, e assim distrair o foco das atenções sobre o principal: a retirada, ao final, de parte dos direitos dos trabalhadores (ainda que seja uma parte menor do que a pleiteada inicialmente).

Em qualquer um desses dois cenários, é necessário romper com qualquer ilusão no governo e colocar em marcha um plano independente de mobilização que culmine em demonstrações contundentes de força e faça a classe trabalhadora pesar com suas demandas no centro da cena política nacional. Um processo de mobilização que se massifique como uma defesa frente aos ataques do governo e da patronal, mas que uma vez massificados se transforme em uma luta ofensiva pelas demandas da classe trabalhadora e de todo o povo, ligando as demandas econômicas com as políticas e sociais. Isso só será possível se os trabalhadores se organizam pelas bases, em assembleias e plenárias que gerem um novo ativismo operário e novas formas democráticas de coordenação. Esse é o caminho para superar os limites impostos pela burocracia sindical. Os setores mais conscientes da classe trabalhadores e da juventude, sindicatos e centrais sindicais classistas e antigovernistas, como as que se reúnem em torno àCSP-Conlutas e as Intersindicais, estão chamados a se colocar na linha de frente dessa batalha.

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