Educação

GREVE PROFESSORES

A primeira semana da greve dos professores

20 Mar 2015   |   comentários

Durante a primeira semana de greve é evidente uma maior adesão dos professores em relação a última greve. Porém, para enfrentar a truculência dos tucanos, temos que avançar muito mais.

Há uma semana os professores do estado de São Paulo estão em greve contra as péssimas condições da escola pública. É de conhecimento de todos que a precariedade das condições de ensino e estudo avança sob o governo de Geraldo Alckmin e o Secretário Herman. Começaram o ano demitindo 21 mil professores, aplicando a duzentena (lei que obriga os professores a ficarem 200 dias desligados do estado) e fechando mais 3000 salas de aula em todo estado. Até o papel higiênico virou artigo raro nas escolas.

O professor trabalha cada vez mais e seu salário está cada dia menor. Para piorar a situação, o governo até agora não sinalizou qualquer proposta de reajuste salarial. Na prática Alckmin oferece 0% de reajuste em um ano onde tudo está mais caro. Com a gasolina, energia, e as compras no supermercado em franca acessão, fica difícil acreditar que teremos uma inflação somente de 7%(segundo estimativa oficiais do governo). Resumindo, o salário terminará o ano muito menor daquele que começou.
Mas a greve não é só por salário, é também pela qualidade da educação. Salas de aula com 40 alunos, espaço físico das escolas deteriorado, falto de materiais didáticos refletem diretamente na queda da qualidade do ensino. Alckmin e os tucanos querem acabar com a possibilidade de qualquer jovem ter uma boa formação escolar, seu único objetivo é criar mão de obra barata para ser explorada no mercado de trabalho.

Alckmin não perde tempo para atacar o direito de greve

Tão logo a greve foi aprovada, Alckmin correu a mídia para falar que greve de professores é sempre a “mesma novela.†Junto com seu secretário de educação, declarou que não reconhecia a greve dos professores e que o sindicato não era legítimo como representante da categoria, um grave ataque ao instrumento de luta e organização dos professores. Aprofundando o ataque, Herman descumpre a legislação que garante o direito de greve ao enviar nota pública às direções de escolas exigindo que os grevistas sejam substituídos por professores eventuais e que reorganizem as salas de aulas (abarrotando de alunos mais ainda) para diminuir os impactos da greve. A diretoria de ensino de Franca chegou ao absurdo de soltar uma nota proibindo a entrada do comando de mobilização, convocando diretores e coordenadores a entrarem em sala de aula para substituir grevistas.

Outra maneira de tentar amedrontar os professores é cortando salário. Na prática significa uma forma de chantagem para atacar o direito de greve. Infelizmente essa prática foi naturalizada na categoria, devido àconivência da atual direção de Bebel e Cia (PT e PCdoB), que nunca questionou seriamente esses cortes. Diferentemente de outras categorias, os professores já começam sua greve sabendo que não terão salários. É preciso quebrar essa péssima “tradição†, a começar por fundos de greve organizados antecipadamente a toda mobilização.

Cresce a mobilização por todo estado: é preciso ampliar a greve contra a dureza do governo

Desde o Professores Pela Base – Movimento Nossa Classe estamos construindo com todas nossas forças essa mobilização. Durante a primeira semana de greve é evidente uma maior adesão dos professores em relação a última greve. Atos foram realizados em diversas cidades, com apoio de alunos e pais. Porém, para enfrentar a truculência dos tucanos, temos que avançar muito mais. É fundamental que aqueles que estão em greve se liguem às suas escolas, construindo atividades de mobilização que nos conecte com aqueles professores que ainda estão hesitantes em aderir àgreve. Além disso, são necessárias ações unificadas com toda a comunidade escolar para massificar as demandas e ampliar nossos aliados contra o governo.

Desconfiança contra Bebel e Cia.

Outra questão comumente levantada nas passagens em escolas é a desconfiança da categoria com a direção de seu sindicato. Fruto das consecutivas traições de Bebel, setores da categoria não aderem, pois não acreditam na turma de Bebel, rechaço também expresso nas assembleias onde setores amplos entoam “fora Bebel†toda vez que essa assume a fala.

Não temos dúvidas que para derrotar o governo é necessário passar por cima dessa direção burocrática e traidora. Exemplo disso é que na assembleia da Zona Norte da Capital, a direção da subsede ligada ao setor majoritário da direção do sindicato(PT e PCdoB), aprovou uma proposta de flexibilização da greve, ou seja, que os professores devem voltar a trabalhar toda segunda feira! Um escândalo, que vai contra as necessidades da greve! Além disso, são inúmeros os conselheiros (estaduais e regionais) que não só furam greve, mas descontroem ela desestimulando os professores a aderirem.

A força dos professores organizados é muito maior do que as maracutaias e traições da atual direção. Os professores precisam ser o sujeito dessa mobilização, comando de greve democráticos, eleitos e mandatos pela base, são parte necessária de nossa organização para ir até o fim com as nossas demandas e vencer.

Cercar de solidariedade a greve dos professores e exigir negociação imediatamente

Alckmin quer derrotar a greve de professores para que sirva de exemplo para outras categorias, por isso cercar de solidariedade essa greve é fundamental. Não pretende abrir nenhuma negociação para derrotar a greve, através do corte de ponto e de sua política de ameaças. Alckmin que se reuniu com os sindicatos da burocracia escolar no último dia 17, excluindo a APEOESP, não quer sequer reconhecer que os professores estão em greve. Desde já devemos exigir abertura imediata das negociações, para colocar o governo contra a parede.

Nós do Professores Pela Base – Movimento Nossa Classe estamos dando início a uma forte campanha de solidariedade a partir dos locais de trabalho e estudo onde atuamos. O SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP), garis de Irajá no Rio de Janeiro, o Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp, estudantes da UERJ e carteiros de Cutia já enviaram sua solidariedade, além de inúmeros alunos que enviam fotos em apoio. Vários desses participam de nossos atos para expressar ativamente sua solidariedade.

A vitória ou a derrota dos professores irá determinar se o governo Alckmin sairá fortalecido ou enfraquecido para aplicar os ajustes contra as demais categorias: cercar de solidariedade essa luta é fundamental, a começar pelos sindicatos dirigidos pela esquerda(CSP-Conlutas e Intersindicais), que devem ser linha de frente dessa solidariedade. É necessário que a CUT e a CTB mobilize toda sua estrutura para colocar de pé uma grande campanha de apoio ao professores.

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