Domingo 16 de Junho de 2019

Nacional

A política do PSTU para a Conlutas é um entrave para que ela possa cumprir um papel de vanguarda

15 May 2005   |   comentários

Desde a fundação da Conlutas, o PSTU, que é a corrente que a dirige nacionalmente, teve como eixo de sua política o chamado a que os sindicatos que compõem a Conlutas se desfiliem da CUT, sob a alegação de que ela estaria morta.

Essa política se apóia em um sentimento real, ainda que reduzido e minoritário. Quando os governos petistas passam a atacar de forma cada vez mais aberta os interesses dos trabalhadores e a burocracia da CUT passa a se mostrar cada vez mais como o braço desses governos e da patronal dentro do movimento sindical, um setor dos trabalhadores de fato passa a acumular um profundo ódio da direção da CUT. Esse ódio por parte dos trabalhadores que durante muitos anos tiveram ilusões na burocracia cutista, é algo extremamente progressivo.

No entanto, o PSTU, que desde que surgiu a CUT faz acordos oportunistas e abre mão de combater a burocracia para se eleger em chapas comuns com ela e desta forma garantir seus cargos nos aparatos sindicais, se apóia neste sentimento progressivo para defender uma política alheia aos interesses da classe. Da noite para o dia, o PSTU passou a chamar seus aliados preferenciais de ontem de traidores, a dizer que “a CUT está morta†e a dizer que está em curso um processo de “ruptura de massas†com a CUT. Mas o PSTU e os dirigentes sindicais sabem que esses trabalhadores que querem romper com a CUT são uma minoria muito reduzida, que inflando os números não chega a 200 sindicatos, enquanto a esmagadora maioria da classe, que significa milhares de sindicatos e dezenas de milhões de trabalhadores, ainda estão sob a influência direta da burocracia cutista. O racha da CUT, a partir do qual quase metade desta central se colocou contra “essa reforma sindical†, está colocando de fato uma pá de cal no discurso do PSTU de que “a CUT morreu†, e deixando a Conlutas e o PSTU àbeira de uma crise.

Ao tornar a política de ruptura com a CUT o eixo da sua suposta luta contra a burocracia, o PSTU busca justamente esconder que não trava luta nenhuma contra esta. Tenta esconder que os sindicatos que ele dirige funcionam com os mesmos métodos burocráticos dos sindicatos petistas, onde os trabalhadores das bases têm pouco ou nenhum poder de decisão. E tenta esconder que durante toda a década de noventa o PSTU viveu de acordos e chapas comuns com esta burocracia sem ter nenhuma política real para minar sua influência e desmarcara-la perante os trabalhadores.

Na verdade, a política de ruptura com a CUT e fundação de uma nova central, não tem como objetivo garantir a vitória dos trabalhadores sobre a reforma sindical. Pelo contrário, se prepara para que caso a reforma passe, este continue com seu espaço sindical garantido, através da criação de um aparato burocrático próprio, não submetido ao controle da direção da CUT. O PSTU se prepara para “receber†os sindicalistas que perderão o seu poder na CUT se for aprovada a reforma. Sob o véu de um discurso aparentemente radical segue com sua linha oportunista de não combater a influência da burocracia cutista, abandonando àsua própria sorte dezenas de milhões de trabalhadores ao mesmo tempo em que reproduz fielmente os métodos desta mesma burocracia. Essa linha “ultra-esquedista na forma e oportunista no conteúdo†é a base de uma crise que ameaça deixar este partido cada vez mais impotente e isolado do processo de ruptura de massas como PT, perdendo militantes e influência política e sindical. Isto justamente num momento em que o inicial processo de recomposição da classe operária e no marco de sua experiência como petismo permite e impõe aos revolucionários caminhar a ritmos acelerados no desafio que é a construção de um partido operário verdadeiramente revolucionário capaz de conduzir a classe operária brasileira na luta decisiva contra a ordem capitalista.

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