Domingo 16 de Junho de 2019

Juventude

A luta dos estudantes da USP levada a centenas de estudantes em diversas universidades do país

26 Dec 2011   |   comentários

A luta dos estudantes da USP ganhou a primeira página dos jornais em todo o país. Isto coloca também na ordem do dia que a campanha pela retirada dos inquéritos ilegais aos 73 presos políticos seja nacional e internacional. O que a reitoria da USP e o governo Alckmin conseguirem avançar contra os estudantes da USP será utilizado como exemplo (e prática) a setores muito mais criminalizados por protestar como os trabalhadores, os sem-terra, (...)

A luta dos estudantes da USP ganhou a primeira página dos jornais em todo o país. Isto coloca também na ordem do dia que a campanha pela retirada dos inquéritos ilegais aos 73 presos políticos seja nacional e internacional. O que a reitoria da USP e o governo Alckmin conseguirem avançar contra os estudantes da USP será utilizado como exemplo (e prática) a setores muito mais criminalizados por protestar como os trabalhadores, os sem-terra, sem-teto. A Juventude às Ruas (LER-QI e independentes) e diversos outros ativistas organizamos semana passada debates em três das principais universidades do país: A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Fizemos isto como parte do esforço em nacionalizar esta campanha mas também para que lições deste conflito sejam debatidas em todo o país e assim contribuir para colocar de pé um forte movimento estudantil nacional que questione a polícia nas universidades bem como o senso comum instaurado em todo o país que aplaude a política repressiva levada a cabo pelo governo Dilma junto a governos locais (aliados ou de oposição).

Na UFRJ o debate contou com Gas-Pa do coletivo de Hiphop Lutarmada e Letícia Oliveira da Juventude às Ruas e presa política da USP. O debate foi um vivo contraponto a realidade local na UFRJ marcada por sua militarização e aceitação passiva dos estudantes do mesmo, e mais que isto foi um questionamento a como o DCE dirigido pelo PSOL e PSTU e a atuação mais em geral da esquerda anti-governista no Rio tem sido marcada pela adaptação a grande conquista ideológica da burguesia sobre a necessidade de polícia para reprimir cotidianamente nos morros e no conjunto da cidade. O debate passou por vivas discussões sobre o Estado, a polícia e sobre o lugar da questão negra na revolução no país. Deste mesmo debate se organizarão atividades no início do ano no espírito com que ele concluiu, em um vivo debate de que movimento estudantil é necessário construir em uma universidade que tem um caráter elitista, contra o qual deve se ligar todas as lutas dentro dela.

Na UFMG o debate contou com a presença de Ravenna, militante da Juventude as Ruas e presa política da USP, Luiz Renato Martins professor da ECA-USP e aliado de primeiro momento do movimento estudantil da USP e com Heloísa Greco do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania/BH. O debate ajudou a mostrar como a militarização em curso na USP é parte de um projeto que é compartilhado por tucanos e petistas para elitização e privatização das universidades e passa pelas sobrevivências de vários entulhos da ditadura, de estatutos do AI-5 a atuação prática de reitores em defesa da impunidade de ontem e hoje.

Na UNICAMP mais de uma centena de estudantes se reuniram para debater a repressão na USP como parte de uma atividade de greve do comando dos trabalhadores em greve e dos estudantes do IFCH em greve. O debate contou com a presença de Vandré (advogado do MST e dos presos políticos), João (estudante da USP independente e um dos presos políticos), Letícia que também esteve na atividade da UFRJ e Guilherme (trabalhador da UNICAMP em greve e perseguido político). O debate de Campinas em meio àhistórica greve dos trabalhadores dessa universidade e a greve em solidariedade aos mesmos que organizaram os estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências (IFCH) passos a dar tirando lições do conflito na USP. A empolgação com que se debateu o comando de greve da USP e sua vitória de que fosse votado em assembléia que seria ele e não o DCE com gestão vencida e que se opôs a luta que organizasse a calourada do ano que vem animou os presentes em como organizar um movimento estudantil democrático desde os cursos e que permita colocar de pé lutas como as que estão ocorrendo na USP.

No próximo sábado dia 3 de dezembro será realizado um ato-debate em São Paulo para impulsionar a campanha em defesa dos 73, que contará com os intelectuais Chico de Oliveira e Jorge Grespan, o juiz Souto Maior, o diretor demitido político do Sintusp Claudionor Brandão, representantes dos estudantes presos e perseguidos na USP, representantes do MST, entre outros.

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