Nacional

A legitimidade da luta por moradia

19 Mar 2015 | Na manhã dessa quarta-feira São Paulo foi surpreendida por uma grande manifestação do MTST em defesa de moradia. Com todos os limites que tem as demandas levantadas pela direção do movimento(cuja pauta central é a reativação do programa 'Minha Casa , Minha Vida', do governo Dilma Roussef, que beneficia grandemente as empreiteiras) é impossível não partir-se da grande legitimidade da reivindicação, em um país onde não pagar aluguel é um privilégio para muito poucos e onde parte importante da população não tem sequer um teto onde se abrigar.   |   comentários

Na manhã dessa quarta-feira São Paulo foi surpreendida por uma grande manifestação do MTST em defesa de moradia. Com todos os limites que tem as demandas levantadas pela direção do movimento(cuja pauta central é a reativação do programa 'Minha Casa , Minha Vida', do governo Dilma Roussef, que beneficia grandemente as empreiteiras) é impossível não partir-se da grande legitimidade da reivindicação, em um país onde não pagar aluguel é um (...)

Na manhã dessa quarta-feira São Paulo foi surpreendida por uma grande manifestação do MTST em defesa de moradia. Com todos os limites que tem as demandas levantadas pela direção do movimento(cuja pauta central é a reativação do programa ’Minha Casa , Minha Vida’, do governo Dilma Roussef, que beneficia grandemente as empreiteiras) é impossível não partir-se da grande legitimidade da reivindicação, em um país onde não pagar aluguel é um privilégio para muito poucos e onde parte importante da população não tem sequer um teto onde se abrigar.

Setores da classe média mais conservadora muitas vezes se colocam contra os movimentos de moradia, assim como contra movimentos de reforma agrária (MST e outros), como se a própria reivindicação fosse algo ilegítimo, com a justificativa de que a propriedade de um terreno, de uma casa, etc, deve ser fruto do trabalho, que seria injusto que alguém conseguisse tal propriedade sem ter trabalhado e argumentos do mesmo gênero.

O argumento, tão difundido pelas classes dominantes , é fruto de um profundo desconhecimento da história de nosso país, pelo menos entre os mais sinceros que difundem esse senso-comum.

A propriedade privada da terra e de imóveis no Brasil - pelo menos a grande propriedade latifundiária e a propriedade dos especuladores imobiliários, que é de quem estamos falando quando o assunto é reforma agrária e urbana - longe de ser fruto do trabalho é fruto do roubo e do assassinato da população indígena, ocupante do território antes do "descobrimento", e da escravização do trabalho negro. Posteriormente a exploração do trabalho imigrante veio se somar a esses fatores originais.

E aqui não falamos nada que qualquer estudante secundarista de história não saiba. Outro exemplo é a tristemente célebre lei de terras de 1850, que tornava terra do estado toda aquela que não tivesse sido adquirida em cartório, impedindo que os escravos que estavam no processo de sua libertação (fruto de suas lutas) pudessem se tornar proprietários de terras e assim garantir seu sustento.

Os hoje sem teto (e também os sem terra) são descendentes diretos dos verdadeiros construtores da riqueza do país, mas a quem foi negado em seguida os frutos de seu trabalho. Assim, os grandes proprietários de terra e de imóveis, tanto na cidade quanto no campo, estão longe do mito burguês do homem trabalhador que conquistou sua propriedade "com o suor de seu rosto" para serem expressão da triste realidade histórica do assassinato, do roubo e da escravidão.

É dessa forma que vemos o quão legítima é a luta por moradia (e também por terra), por uma efetiva reforma urbana e agrária, no Brasil, que exproprie a nacionalize a propriedade dos especuladores e dos grandes latifundiários dando direito de usufruto para aqueles que efetivamente trabalham e necessitam.

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