Mulher

MULHER TRABALHADORA

A igreja, o governo e a direita se organizam contra as mulheres

16 Feb 2008   |   comentários

Em se tratando de hipocrisia e reacionarismo sobre a mulher, a burguesia brasileira, tendo a Igreja como aliada, está dando mostras de se superar cada vez mais. Depois de impulsionar uma campanha que tinha como lema “Em nome da vida†, e usava como símbolo um bebê nascido sem cérebro, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) agora volta com sua campanha permanente (que muda de nome todo ano), dessa vez chamada “Campanha da Fraternidade†, com o lema “Escolhe, pois, a vida†, frase retirada diretamente do livro do Deuterónomio, da Bíblia. Uma campanha que, mais uma vez, nega às mulheres o direito ao aborto, ignorando os milhares de mortes, sobretudo de mulheres pobres, que ocorrem todos os anos por conta dos abortos clandestinos.

E não é só pela via da proibição ao aborto que os direitos mais elementares das mulheres são brutalmente negados. Ao mesmo tempo, a governadora ligada àDemocracia Socialista no Pará, Ana Júlia Carepa, permite que uma jovem de 15 anos seja violentada numa cela com 20 homens. O governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, se diz a favor do aborto apenas por “considerar que pode ser uma política pública de higiene social contra a violência urbana†. Não satisfeitos, no final do ano passado o governo federal aparece com uma proposta reacionária de “bolsa-estupro†, para incentivar as mulheres vítimas de estupro a não abortarem. Isso sem falar da “socialista†Heloísa Helena que se coloca ao lado da Igreja e de setores dos mais reacionários da burguesia brasileira, como o DEM, ao lançar uma campanha de nome “Por um Brasil sem aborto†.

A direita, a igreja e o governo estão bastante organizados para levar a frente essa ofensiva ideológica contra o direito que as mulheres devem ter de decidir o que fazer com seu próprio corpo. Portanto, é necessário que as organizações de esquerda, que consideram necessário um programa em defesa da mulher trabalhadora, se organizem desde já, há poucas semanas do 8 de março, para impulsionar uma campanha permanente contra todos esses setores reacionários.

Precisamos romper as amarras que a Igreja nos impõem, lutando pelo direito ao aborto seguro, gratuito, sobretudo para as trabalhadoras. Devemos combater a influência das “socialistas†que compartilham dos levam àfrente os preconceitos e moralismos burgueses, como Heloísa Helena, bem como lutar para derrubar o governo de Ana Júlia Carepa da DS! Além disso, é preciso que desde os sindicatos e organizações da classe trabalhadora tomemos a luta por igual salário e igual trabalho, tendo como base o salário mínimo do Dieese para todas as trabalhadoras, além da construção de creches, lavanderias e restaurantes públicos, e toda a infra-estrutura necessária para libertar a mulher de sua dupla jornada de trabalho. Esta é uma luta que deve ser tomada pelas organizações de esquerda e sindicatos, sobretudo pela Conlutas - que recentemente rompeu com a Marcha Mundial de Mulheres hegemonizada pela DS (a mesma de Ana Júlia Carepa!) ’ a quem chamamos a constituir um bloco conseqüente em torno destas questões. A luta da mulher deve ir muito além do 8 de Março!

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