Internacional

OFENSIVA IANQUE NO IRAQUE

A guerra sem fim dos Estados Unidos

16 Aug 2014   |   comentários

Enquanto o presidente Obama goza de suas férias, aviões e drones americanos novamente jogam toneladas de bombas sobre o Iraque. Esta nova aventura militar dos Estados Unidos começou na sexta-feira, dia 8 de agosto, e tem como objetivo frear o avanço do chamado Estado Islâmico de Iraque e do Levante, ou o próprio Estado Islâmico, que desde junho tomou cerca de um terço do território sírio e um quarto do território (...)

Enquanto o presidente Obama goza de suas férias, aviões e drones americanos novamente jogam toneladas de bombas sobre o Iraque. Esta nova aventura militar dos Estados Unidos começou na sexta-feira, dia 8 de agosto, e tem como objetivo frear o avanço do chamado Estado Islâmico de Iraque e do Levante, ou o próprio Estado Islâmico, que desde junho tomou cerca de um terço do território sírio e um quarto do território iraquiano.

Segundo Obama, o que motiva os bombardeios é proteger setores cristãos e de minoria yazídi (um setor da população que pratica outra religião), selvagemente perseguidos pelo EILL, este novo “Frankenstein†surgido do descolamento de um setor da Al Qaeda, durante a ocupação militar dos Estados Unidos no Iraque.
À luz do apoio dos Estados Unidos ao massacre de Israel em Gaza, nunca antes soou tão hipócrita a alegação de “justificativa humanitária†para esse novo ataque imperialista, a menos de 3 anos de retirada das tropas norte americanas, que pôs fim no a um dos seus piores pesadelos militares no pós-Vietnam.

O colapso do precário sistema governamental que os Estados Unidos deixaram no Iraque pode levar a divisão do país entre kurdos, sunitas e chiitas, e intensificar os enfrentamentos religiosos e étnicos de repercussões regionais, como se apresenta na reacionária guerra civil na Síria e na desintegração da Líbia.

Desde a primeira Guerra do Golfo em 1991, os Estados Unidos mantém um estado de guerra quase contínuo no Iraque. Essa política militarista deu um salto com a “guerra contra o terrorismo†de Bush e dos neoconservadores com a qual o imperialismo ianque buscava “redesenhar o mapa do Oriente Médio†e conseguir outro século de dominação norteamericana. Esta guerra imperialista sem fim continua sob o governo Obama.

Guerra e crise política

A situação no Iraque é extremamente instável. A guerra e a seguinte ocupação militar norteamericana no Iraque, que se estendeu de 2003 até 2011, não produziu somente milhares de civis mortos e uma grande destruição, se não que agravou os conflitos entre a maioria xiita, que havia sido oprimida pelo regime de Sadam Hussein assim como os kurdos, e a minoria sunita que havia monopolizado por décadas o poder do Estado. Desta maneira, com uma clara política de “divide e reinarás†, os Estados Unidos, em aliança com os setores reacionários xiitas, e a aprovação do Irã, conseguiu desarticular a resistência inicial nacional àocupação, que unia setores radicalizados xiitas e sunitas, e desviar o processo para uma sangrenta guerra civil.

Com a queda de Sadam Hussein e a proibição do partido Baath (um partido de origem nacionalista e que era o principal pilar político do regime ditatorial de Hussein), os xiitas e kurdos aproveitaram a invasão norteamericana para ficar com o controle do Estado e assim beneficiar-se da exploração das enormes riquezas petroleiras do país.
Estados Unidos tentou um precário equilíbrio de poder entre sunitas, xiitas e kurdos. Mas esta engenharia durou pouco tempo, tão logo haviam retirado-se os soltados norteamericanos, os antigos aliados se transformaram em inimigos. Em 2011, o primeiro ministro al Maliki, pertencente a um partido xiita conservador, começou uma brutal repressão contra os sunitas, que inspirados pela Primavera à rabe, saíram em mobilização massiva contra as condições de opressão às quais eram submetidos pelo governo central.

Sobre este enorme ressentimento da minoria sunita cresceu uma força completamente reacionária, o chamado Exército Islâmico, que terminou em suspense com o precário governo iraquiano, fez as forças armadas fugirem e ganharam o controle das zonas petrolíferas, além de armamento sofisticado fornecido pelos Estados Unidos.

Neste marco de crise, o governo Obama usou o pretexto da perseguição por parte do El contra os yazidis, as novas vítimas da guerra civil gerada pela ocupação norteamericana, para lançar um novo ataque militar e por sua vez, destituir o primeiro ministro al Maliki, que se transformou em um obstáculo nos seus planos para estabilizar o país, dominado por forças reacionárias relacionadas aos seus interesses.

A situação no Iraque é um sinal de que o poderio norteamericano está em decadência. Depois das desastrosas guerras de Bush, a política de Obama é limitar a ação militar a bombardeios aéreos e auxiliar forças locais, como as milícias kurdas, cujos próprios interesses coincidem com os interesses norteamericanos. Ainda assim, a dinâmica do conflito está aberta e a mídia norteamericana já fala de uma operação que pode durar meses. Frente àcrescente incapacidade de impor sua vontade no Oriente Médio, os Estados Unidos se vê obrigado a se apoiar em alianças contraditórias com potenciais rivais, como a Arábia Saudita e o Irã, para tentar estabilizar a situação.

A derrota da primeira etapa da “Primavera à rabe†, com o golpe de Estado no Egito e as guerras civis como na Síria, foi sem dúvida um retrocesso importante para os trabalhadores e as massas populares da região.

Contudo, a persistência da resistência nacional palestina e o enorme repúdio internacional àação criminal de Israel na Faixa de Gaza, são indícios de que uma nova guerra imperialista, longe de estabilizar, acenda de novo a faísca do protesto.

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