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A frente se estabiliza na Ucrânia e os pró russos retiram o armamento pesado

23 Feb 2015 | A frente no leste da Ucrânia se estabilizou pela contra batalha de Debáltsevo, o que levou os pró russos a procederem a retirada de armamento pesado da zona desmilitarizada acordada na recente cúpula de Minsk.   |   comentários

A frente no leste da Ucrânia se estabilizou pela contra batalha de Debáltsevo, o que levou os pró russos a procederem a retirada de armamento pesado da zona desmilitarizada acordada na recente cúpula de Minsk.

O Centro de Controle e Coordenação para o cumprimento dos acordos de paz de Minsk informou nesta sexta-feira que, “Desde o sul da república popular de Donetsky até o oeste da república de Lugansk não ocorreram violações ao cessar-fogo†. A única “exceção†é o estratégico aeroporto de Donetsk, reconquistado em janeiro pelos separatistas e em cujas localidades ao lado se encontram localizadas várias unidades militares ucranianas.

Por sua vez, o general Alexandr Lentsov, representante russo no centro de coordenação, em coletiva de imprensa, afirmou que “No aeroporto de Donetsky se produzem ocasionalmente disparos com armas de fogo de pequeno porte. Em Debáltsevo também não houveram combates nos últimos dois dias†.

Na mesma linha, o coronel Dmitri Lajúrov, representante ucraniano, destacou que na região de Lugansk “não se registrou nenhum bombardeio nas últimas 24 horas†.

Isto foi secundarizado pelos próprios separatistas pró russos, que declararam terminadas nesta sexta-feira as ações militares e anunciaram que procederam a retirada do armamento pesado na coordenação com a organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). “A situação está se estabilizando por toda a linha de frente. Não existem ações militares. Tudo está tranquilo†, disse Eduard Basurin, subchefe do comando militar da autoproclamada república separatista de Donetsk, em coletiva de imprensa.

O porta-voz rebelde reiterou que todas as localidades ao redor da estratégica cidade de Debáltsevo “se encontram sob controle rebelde†, razão pela qual em questão de horas os observadores internacionais poderão acessar a zona.

E descartou uma possível ofensiva rebelde contra o porto de Mariúpol (mar de Azov) – sede do governo regional leal a Kiev e área chave para traçar uma via entre Crimea e a fronteira russa -, como aventuram-se a dizer os meios de comunicação ucranianos.

Além disso, Basurin assegurou que as milícia insurgentes já acordaram em um roteiro com a OSCE para distanciar-se das peças de artilharia de grande calibre e os lançadores de mísseis da linha que separa as forças.

Na mesma linha, os dirigentes da república popular de Lugansk também informaram sobre a retirada de armamento pesado, processo supostamente iniciado em 18 de fevereiro. Segundo a seção 2 dos acordos de paz de 12 de fevereiro, a retirada de armamento pesado da zona desmilitarizada, cuja profundidade máxima será de 140 km, que não deve começar mais tarde do que 48h depois do início do cessar-fogo.

Em uma demonstração de que os combates se amenizaram, ambos os lados adiantaram que levarão adiante neste sábado uma soltura de prisioneiros de guerra, dos quais 110 são soldados governamentais em mãos rebeldes.

Apesar disso, o comando militar britânico informou que dois soldados morreram e outros três acabaram feridos nas últimas 24 horas e denunciou que a Russia aumenta sua presença militar na zona com o envio de armamento pesado e efetivos militares. “Concretamente, mais de 20 tanques, 10 canhões de autopropulsão e umas 15 caminhonetes entraram em direção a Novoazovsk (cidade sob controle rebelde no sul da região de Donetsk)†, disse na sexta-feira passada em coletiva de imprensa Andréi Lisenko, portavoz ucraniano.

Além disso, indicou que através da linha da fronteira de Izvárino entraram em direção a Lugansk mais de vinte caminhões com apetrechos e numerosas cisternas com combustível. “Ao mesmo tempo, observa-se um aumento da presença militar das Forças Armadas da Russia em setores fronteiriços da Ucrânia, em particular nas regiões de Vorónezh e Rostov†, sublinhou.

Segundo Lisenko, a tudo isso se soma a entrada no território da Ucrânia controlada por separatistas de um novo comboio de caminhões russos que, segundo Moscou, transportaria ajuda humanitária.

Neste momento, o presidente francês François Hollande, e a chanceler alemã Angela Merkel, exigiram nesta mesma sexta-feira em Paris o cumprimento integro dos acordos de paz de Minsk e urgiram fazer todo o necessário “para que cesse o banho de sangue†. Hollande denunciou que os acordos de cessar-fogo já “foram violados várias vezes†, em clara alusão àtomada, nesta semana, de Debáltsevo por rebeldes, enquanto merkel advertiu que se alguma parte violar o estabelecido, “poderiam haver sanções†.

Por sofrer em Debáltsevo a maior derrota em dez meses de guerra, o presidente ucraniano, Petró Poroshenko, se dirigiu á União Europeia e àONU para pedir a concessão de uma missão de pacificação ao leste do país e na fronteira com a Rússia, o que foi rechaçado tanto pelos rebeldes como por Moscou.

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