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A farsa da democracia de Rodas

12 May 2012   |   comentários

A Reitoria da USP encabeça neste momento uma verdadeira inquisição contra estudantes e trabalhadores da USP. No ano passado, aproveitando-se do lamentável assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, a Reitoria usou o argumento da “segurança pública†para militarizar a USP, escondendo seu verdadeiro intuito de manter a ordem e sua democracia farsante que permita o avanço da privatização.

Em novembro de 2011, fez uma reintegração de posse na Ocupação da Reitoria com mais de 400 homens da Tropa de Choque, cavalaria e helicópteros. Esta ocupação, organizada a partir de assembléias estudantis, que contou com o apoio dos trabalhadores e de dezenas de intelectuais e artistas, simbolizava a luta pela retirada da PM da USP, ao mesmo tempo que se denunciava o papel que a mesma cumpria nas favelas e bairros. Era também um movimento que pela democracia na universidade, onde nós da LER-QI defendíamos um programa de transformação radical, acabando com o vestibular e dissolvendo os órgãos de poder dentro da USP como o Conselho Universitário, impondo em seu lugar uma Estatuinte Livre e Soberana organizada por todos os setores.

A aliança operária e estudantil que há anos vem sendo construída na USP é o que a reitoria quer destruir, pois ligado às massas da comunidade universitária, tem uma enorme força. É esta a luta política que está por trás de todo o discurso farsesco de Rodas, que chega ao absurdo de contestar a veracidade da perseguição e violência que sofreram as vítimas da ditadura brasileira – justamente porque ele foi parte dos setores que defenderam e absolveram o estado em parte dos seus crimes da ditadura.

Cinicamente, é “em nome da lei†que agora Rodas avança sobre os 73 estudantes e trabalhadores que no ano passado foram presos durante a reintegração de posse da Reitoria, e também sobre os 12 estudantes que foram presos por lutar por moradia estudantil. Além de já ter expulso 6 estudantes, dos quais 1 já foi reintegrado, agora tem como objetivo expulsar mais dezenas de estudantes e demitir alguns funcionários que apoiavam a luta estudantil. Para tanto, além da acusação vir por parte da Reitoria, será também ela a que irá julgar e punir.

É necessário construir urgentemente uma enorme campanha democrática, que reúna todos os setores de dentro e de fora da USP, como os professores e intelectuais que começam a lutar pela democratização da universidade. Como parte disso, nós da LER-QI buscamos, através da auto-organização de estudantes e trabalhadores, desenvolver uma mobilização independente que possa questionar a fundo o projeto da Reitoria, e que possa impedir que mais uma vez a USP entre para a história com seus rankings de perseguição política e repressão. Somente uma grande aliança democrática será capaz de barrar essa ofensiva repressiva e avançar para que o destino da USP esteja nas mãos daqueles que a fazem funcionar: estudantes, trabalhadores (efetivos e terceirizados) e professores.

Retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores!

Por Marcelo “Pablito†, diretor do Sintusp e representante dos trabalhadores da USP no Conselho Universitário

Além desta ofensiva contra os estudantes e trabalhadores que no ano passado lutavam pela retirada da polícia da USP, há um enorme ataque contra o Sintusp, toda a sua diretoria e ativistas da categoria. Neste momento, há um processo em curso indicando a demissão de Neli, Magno, Solange, Pablito, da Diretoria do Sintusp, além de Ana Mello e Nair, trabalhadoras da USP, juntamente da eliminação de Rafael Alves, estudante. Ao mesmo tempo, toda a Diretoria do Sintusp está intimada por ter publicado um boletim do Sindicato onde denuncia a corrupção dos setores ligados àsaúde dentro da Universidade. A isso se soma a espionagem já comprovada contra o Sindicato e o atentado criminoso que sofremos em janeiro deste ano, após a denúncia de um policial que sacou uma arma contra um estudante negro. Diante desta situação, exigimos o fim imediato de toda perseguição política, a retirada de todos os processos administrativos e penais contra estudantes e trabalhadores, reintegração dos 6 estudantes expulsos e de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp demitido!

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