Internacional

A economia dos Estados Unidos volta a respirar, sugando o ar de quem?

11 Mar 2015 | Ano passado os Estados Unidos cresceu 2,4%, para esse ano a perspectiva é de uma melhora ainda maior, com investimentos que ultrapassam os 500 bilhões de dólares no ano. Na contramão dessa recuperação (que ainda seria insuficiente para puxar uma recuperação definitiva da crise de 2008), há setores de trabalhadores que não tem aumento de salário há mais de uma década, não à toa greves e mobilizações começam a surgir no interior da maior potência mundial, mas qual a perspectiva desses movimentos e por quais caminhos eles irão triunfar?   |   comentários

Ano passado os Estados Unidos cresceram 2,4%, para esse ano a perspectiva é de uma melhora ainda maior, com investimentos que ultrapassam os 500 bilhões de dólares no ano. Na contramão dessa recuperação (que ainda seria insuficiente para puxar uma recuperação definitiva da crise de 2008), há setores de trabalhadores que não tem aumento de salário há mais de uma década, não à toa greves e mobilizações começam a surgir no interior da maior (...)

Como a economia se recuperou da crise

A maior propaganda do Banco Central americano (FED) foi seu programa de injeção monetária, chamado de Quantitative Easing (QE), responsável por oxigenar os empréstimos para as grandes empresas voltarem a investir. A grande mídia coloca que os mais de 4 trilhões de dólares injetados nos bancos é dinheiro criado pelo Banco Central, como se ao assinar uma nota de dólar se atestasse que aquele papel começou a possuir valor.

Esse valor assombroso de dinheiro enviado para os bancos, na verdade, tem sua origem na enorme capacidade produtiva interna e externa que os Estados Unidos possui.

Todo o dinheiro em circulação está baseado numa taxa de juros que será paga aos bancos, incluindo o Banco Central. Quando o FED diz que criou dinheiro e deu-lhes de mão beijada para os bancos, esconde que serão as empresas que obterão empréstimo que depois pagarão juros e o próprio dinheiro emprestado, uma situação que muitos economistas de esquerda classificam como uma rivalidade, como se houvesse o banqueiro malvado que só quer juros e o empresário bonzinho que só quer gerar empregos e investir.

Essa suposta rivalidade vem sendo discutida desde 1850, quando Karl Marx cria o conceito de mais-valia (ou mais-valor), que muitos entendem como o lucro das empresas, mas os juros também estão presentes na mais-valia. Sendo empresários ou banqueiros, todos exploram os trabalhadores para que lhes gerem lucro ou paguem os juros dos empréstimos. Ou seja, hoje os Estados Unidos volta a crescer através das rivalidades de classe, em que banqueiros e empresários tem o apoio do governo para atacar cada vez mais os trabalhadores e isso está sendo sentido pela classe operária norte-americana.

Os anos de restauração da burguesia pesam sob a organização dos trabalhadores

Numa classe operária composta por mais de 200 milhões de pessoas, em que o desemprego ronda os 5,5%, encontramos apenas 14,6 milhões de trabalhadores associados a algum sindicato, uma pequena parte que começa a se aquecer com greves e manifestações, mas com perspectivas que não colocarão os sanguessugas contra a parede.

Mês passado os trabalhadores petroleiros organizaram uma greve, o setor vem tendo o menor crescimento devido àqueda no preço do petróleo, e junto com isso, o modelo de exploração é extremamente perigoso para os trabalhadores (por conta dos altos índices de acidentes e mortes no trabalho).

As negociações foram tomadas pelo sindicato United Steelworkers e foram acompanhadas por especialistas internacionais. Uma das perspectivas debatidas era de que os trabalhadores eram sócios minoritários dos investimentos, os empresários entram com suas máquinas e empréstimos e os trabalhadores entram com sua força (e suas vidas!), daí quando o setor está em crise todos deviam pagar.

Assim como muitos trabalhadores são tratados como colaboradores, as principais orientações expressas pelos sindicatos colocam que nos momentos em que há lucros todos deviam ganhar, e assim, defendem as repartições de lucro (as PLRs) e organizam as greves quando as empresas falam que ganharam um pouco mais.

A armadilha dessa perspectiva (de conciliação de interesses entre "o capital e o trabalho" e não de enfrentamento e independência de classe) está no que colocamos acima, no conceito de mais-valia. Não se trata somente de uma grande companhia ter lucro ou não. De qualquer forma, os trabalhadores são explorados para que se paguem os juros dos empréstimos tomados pelos empresários, ou seja, dão seu suor para que os governos e os banqueiros criem os programas com os quais a economia norte-americana volta a se recuperar.

Se há dois anos atrás as empresas reclamavam dos lucros baixos, e com isso arranjavam desculpas para despedirem os “sócios menores†das empresas, hoje o aumento salarial também encontra a mesma desculpa do lucro, onde as maiores negociações alcançam somente 2% de aumento após um grande período sem qualquer aumento.

Além disso, tanto o partido republicano quanto o partido democrata encontram as "vias" para, àsua maneira, enfraquecer as organizações operárias. O partido de Obama controla a burocracia sindical diretamente, enquanto os republicanos, a partir de Scott Walker, governador do estado de Wisconsin, com grande tradição operária, passa leis anti-operárias como a "Lei do Direito ao Trabalho", que proíbe a contribuição obrigatória dos trabalhadores aos sindicatos, debilitando economicamente estas organizações e desvinculando os trabalhadores da sindicalização.

A questão é que, antes de tudo, os trabalhadores são uma classe em que os interesses não vão ser conciliados nem com os empresários nem com os banqueiros. No começo da crise, eram os trabalhadores que eram demitidos e ainda tinham suas casas e bens tomados para agradar os bancos; hoje, há um respiro nessa situação, mas serão sobre os trabalhadores que continuarão pesando a sede de lucros dos capitalistas.

Nem em defesa dos empresários, nem os programas dos governos

Só há uma força que realmente pode gerar benefícios para os trabalhadores sem que se pese novamente as penúrias da crise, é a organização independente dos trabalhadores.

Hoje, um setor importante dos trabalhadores vem se levantando contra a polícia, aqueles trabalhadores de pele negra que carregam o fardo da escravidão mostram que nem Obama conseguiu melhorar suas condições de vida nem acabar com o racismo institucional, esse é um passo que todos os trabalhadores devem se apoiar para se organizarem contra o Estado que toma suas casas, contra os banqueiros que estrangulam todos com seus juros e contra os empresários que não querem pagar por sua crise!

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