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A crise da Petrobrás e as eleições: um alimenta o outro

25 Aug 2014   |   comentários

A maior empresa do Brasil está atravessando uma crise. Todos os grandes jornais brasileiros estampam algum assunto da Petrobrás todos os dias em suas capas.

A maior empresa do Brasil está atravessando uma crise. Todos os grandes jornais brasileiros estampam algum assunto da Petrobrás todos os dias em suas capas. A nova faceta desta crise é a ameaça de denúncias que o ex-diretor do Abastecimento (setor de Refinarias) faria. Paulo Costa está preso a 200 dias, faria estas denúncias em troca de não ser processado (num mecanismo judicial brasileiro chamado de “delação premiada†). Quanto ele falará, quem ele atingirá, alimenta uma nova expectativa de “fatos inesperados†em uma eleição já fora do script com a morte de Eduardo Campos.

Paulo Costa, vinculado a poderosos políticos do PMDB (partido do vice-presidente Temer) do nordeste, está ligado a numerosos casos de superfaturamento de obras (como na Refinaria do Nordeste – em Suape, Pernambuco) e na compra da refinaria de Pasadena, EUA. A soma destes superfaturamentos alcança mais de 20 bilhões de dólares. E foi justamente devido a esquemas de lavagem de dinheiro destes superfaturamentos que ele foi preso.

O Globo e a Folha de São Paulo atribuem a ele uma frase ameaçadora “se eu falar tudo que eu sei não haverá eleições†. O Globo de 24/08 fala que haveria ao menos 100 deputados envolvidos em seu mega-esquema. Há uma nova incerteza no ar pairando sobre as eleições de outubro.

A privatização da Petrobrás: tema político das últimas três décadas

A privatização da maior empresa estatal brasileira, responsável sozinha por quase 10% do PIB, é um tema que atravessa gerações.
Em 1995, uma imensa e heroica greve de petroleiros de mais de 30 dias terminou em uma derrota parcial. Fernando Henrique Cardoso queria privatizar a empresa símbolo do país. Os petroleiros barraram seu plano, mas não conseguiram barrar todas as outras privatizações que se seguiram e tiveram toda uma geração de dirigentes sindicais demitidos.

Lula e o PT, ao assumirem o poder em 2003, começaram em poucos anos buscar vender uma imagem nacionalista, recompondo o quadro da Petrobrás, fazendo numerosas contratações e concedendo aumentos de salários. Em 2006, no segundo turno, um dos principais ataques de Lula a Alckmin (PSDB) é que este privatizaria a Petrobrás. Na eleição de 2010 a empresa voltou a ser tema importante. Lula e Dilma propagandearam a expansão da produção que teria tornado o país auto-suficiente em petróleo (segundo os cálculos deles e não os nossos. Ver "A crise financeira da Petrobrás") e com a descoberta dos campos do pré-sal, que foram descritos como um passaporte do Brasil ao primeiro mundo.

Nestas eleições de 2014, Aécio já se antecipou ao que o PT lhe acusará de privatizador e tem declarado que não quer privatizar a empresa, mas sim “re-estatizá-la†, acusando a gerência petista de estar usando politicamente a empresa. Marina Silva ainda não se pronunciou sobre a Petrobrás, mas o falecido Eduardo Campos, poucos dias antes de morrer, havia dito que percebe-se os “efeitos de uma Petrobras que perdeu o fôlego de seus investimentos, que foi entregue ao fisiologismo. A Petrobras tem que ser resgatada para uma governança capaz e equlibrada.†(O Globo 1/8).

Estas declarações de Aécio ou Campos são tomadas pelos petroleiros como preparatórias da privatização. Lembram-se coletivamente como foram os anos anteriores a 1995, e já sofrem hoje com um corte de funcionários (com um plano de demissão voluntárias que atingiu 8 mil funcionários de 75mil). E todos se lembram também como fizemos no ano passado uma greve de 5 dias (sem sucesso) contra a privatização do mega-campo de Libra (com reservas de 15 bilhões de barris). Ou seja, se já com os supostamente “não-privatistas†do PT há entrega de parte dos recursos nacionais e um aumento no ritmo de trabalho e aumento nos acidentes fruto da falta de pessoal, como denunciado até pela governista Federação Única dos Petroleiros [1], o que esperar daqueles que tem planos mais privatistas? Este debate eleitoral, político e de nosso trabalho, toma os refeitórios quase todos os dias.

Já estamos vivendo com as incertezas eleitorais, incertezas de que posições e usos politicos os diferentes gerentes presos, indiciados, tomarão e o que denunciarão. E também já estamos vivendo as consequências de planos de “ajuste†iniciados por Graça Foster e o PT. Está certo que por enquanto ainda estamos nos primeiros capítulos de uma crise que é, por um lado, de trabalho, mas também será, cedo ou tarde, uma crise política e nacional.

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