Partido

A classe trabalhadora brasileira precisa de um novo partido revolucionário

15 Oct 2014   |   comentários

Queremos abrir o debate da necessidade de construir um novo partido revolucionário da classe trabalhadora no Brasil que possa tirar as lições da experiência de integração do PT à democracia dos ricos bem como do fracasso da esquerda atual.

As jornadas de junho questionaram todos os partidos do regime quando milhões saíram às ruas em defesa dos serviços públicos. Tem início uma crise de representatividade que questiona a passividade e o conformismo da década governada pelo PT e dá espaço para a maior onda de greves dos últimos 20 anos. O questionamento não era somente aos partidos conservadores, mas também ao PT de Lula e Dilma.

Hoje, os petistas querem convencer do voto útil no PT dizendo que junho foi expressão da própria direita – quando Sarney, Collor, Maluf tem lugar garantido no governo petista. O fato é que junho continua vivo e com uma contradição: no auge das jornadas e também nas eleições deste ano não houve e não há uma alternativa àesquerda que possa capitalizar esse processo em chave revolucionária nacionalmente.

O PSOL conseguiu expressar um setor minoritário destes votos “de junho†mas está longe de ser uma alternativa. Por exemplo quando parte importante da juventude do PSOL no ano passado lançou a campanha para que todo o deputado ganhasse o mesmo salário que um professor, em seguida Jean Willys, deputado do PSOL, passou por cima da juventude dizendo que deveria continuar ganhando seus R$ 20 mil. Nesta campanha, repetiu as anteriores trilhando o caminho do PT: suas financiadoras foram grandes empresas como a Zaffari e a Taurus. No Amapá vão disputar o segundo turno como vice de Camilo Capiberibe, do PSB – partido que já declarou apoio àAécio.

As intervenções de Luciana Genro contra a homofobia nos debates de TV deveriam se transformar em força orgânica nos locais de trabalho e estudo. Mas ao contrário, trilham o mesmo caminho do PT que, conforme avançou sua adaptação ao regime brasileiro, foram rapidamente rifando estas bandeiras. Não é a toa que no governo de Dilma Roussef o aborto continua sendo ilegal.

O PSTU junto com PCB e PCO apresentam na somatória um resultado eleitoral de 0,15% dos votos. Esse número, depois de junho, é uma grande denúncia da política impotente do PSTU. Além deste fracasso eleitoral, é notório que o PSTU durante toda a onda de greves operárias tenha sido incapaz de confluir com a combatividade e criatividade dos trabalhadores, sempre negando sua auto-organização que é substituída pelos caudilhos sindicais de seu partido, conduzindo as lutas sem uma estratégia para vencer ou diretamente levando àderrota como no metrô de SP.

Nossas batalhas desde junho

Durante junho buscamos atuar a partir das entidades e estruturas onde temos militantes para levantar um programa que respondesse a fundo as demandas, colocando peso na necessidade de lutar pela estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e usuários ligado a outras demandas.

Em um momento em que a esquerda, em especial o PSTU, buscava uma frente-única com os caudilhos da burocracia sindical, como Paulinho da Força, a partir do Sintusp marchamos com a bandeira de não àreforma política do governo e da burocracia.

Organizamos em 2013, o Encontro “Lições de Junho para uma perspectiva revolucionária†que reuniu mais de 800 pessoas, tendo sido a única organização que se propôs debater este processo a fundo. Quando estoura a nova onda de greves operárias no Brasil, é também a nossa organização que levanta a consigna “Façamos como os garis†organizando um Encontro com mais de 300 trabalhadores (com uma delegação importante de garis) para tirar a lição da mais importante greve operária dos últimos anos no país, lançando a partir daí o Movimento Nossa Classe.

A intervenção de nossa organização como parte da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP e do Comando de Greve na vitoriosa greve de 116 dias da USP mostra o acerto desta orientação. Na escala do tamanho de nossa organização hoje podemos mostrar outro caminho e que é possível avançar em criar polos de vanguarda após as jornadas de junho na perspectiva de colocar de pé um partido revolucionário da classe trabalhadora, que tome em suas mãos as demandas democráticas que surgiram das ruas.

A campanha eleitoral da própria esquerda nestas eleições apenas confirmou sua falência estratégica. Se comparamos com a campanha levada adiante pela Frente de Izquierda y de los Trabajadores (FIT) da Argentina, onde atua o PTS – organização internacional da qual também fazemos parte na Fração Trotskista – fica evidente a diferença entre uma agitação de consignas na TV ou no parlamento e uma intervenção revolucionária que busca estar diretamente ligada com o avanço do fortalecimento de alas revolucionárias no movimento operário e na juventude.

A consigna que mais marcou a campanha nas massas foi “vote FIT para fortalecer sua luta†, ou seja, marcando que era para fortalecer a luta por fora do parlamento, sem gerar ilusões na democracia burguesa. Apresentaram uma denúncia frontal ao regime político, encabeçando um programa operário e socialista, com a demanda de que os funcionários de alto escalão e deputados recebam o mesmo salário que uma professora, que é o que nossos deputados do PTS recebem, doando o restante de seu salário para as lutas dos trabalhadores.

O PSOL e o PSTU não são uma verdadeira ruptura com a tradição do PT, por um partido revolucionário da classe trabalhadora

O PSOL e o PSTU não podem representar o mais avançado de junho e da onda de greves. Por tudo isso nós da LER-QI, que hoje impulsionamos o Movimento Nossa Classe com mais de 200 trabalhadores, ao mesmo tempo que lançamos o novo site Palavra Operária que tem conexão direta com o diário digital impulsionado pelo PTS chamado “La Izquierda Diario†, queremos abrir o debate da necessidade de construir um novo partido revolucionário da classe trabalhadora no Brasil que possa tirar as lições da experiência de integração do PT àdemocracia dos ricos bem como do fracasso da esquerda atual. Um novo partido que deverá reunir os que estiveram na linha de frente das greves além da juventude, mulheres, negros e LGBTs que buscam se ligar com a classe trabalhadora.

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