Internacional

A Troika controla as contas do governo de Atenas

17 Mar 2015   |   comentários

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras salientou segunda-feira que o governo não vai recuar em suas promessas de campanha, mas legislará sobre as primeiras medidas "imediatamente". Enquanto isso, continuam as negociações com as instituições da Troika, que controlam as contas do governo em Atenas.

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras salientou segunda-feira que o governo não vai recuar em suas promessas de campanha, mas legislará sobre as primeiras medidas "imediatamente". Enquanto isso, continuam as negociações com as instituições da Troika, que controlam as contas do governo em Atenas.

"Este programa tem a duração de quatro anos e será concluído até o final (...). As medidas anunciadas pelo governo não são negociáveis e será apresentado no Parlamento imediatamente", Tsipras disse em uma entrevista ao jornal local "Ethnos".
O primeiro-ministro disse que o governo "informou" para as instituições e disse que eles são "abertos a sugestões", mas ressaltou que o povo grego deu o seu apoio "para governar".

Ele ressaltou que o país "não é uma colônia" e que seu governo não contemplou a possibilidade de "voltar para o memorando (programa de resgate)", por isso não irá aplicar as medidas do governo anterior que "cairam pelo voto do povo".

Em sua opinião, "a chave" para que haja um compromisso real na zona do euro é o "reconhecimento de que a política anterior de extrema austeridade falhou não só na Grécia, mas em toda a Europa".

Estas declarações do primeiro-ministro grego vêm em meio a negociações com o Eurogrupo e as instituições da Troika, em passos específicos que o governo vai tomar nos próximos meses.

O acordo de 20 de fevereiro prevê que a Grécia não pode tomar qualquer "ação unilateral" e em vez disso se submeterá àsupervisão das instituições européias.
Mas Tsipras pretende implementar qualquer medida que prometeu na campanha eleitoral, incluindo a eletricidade gratuita para os pobres ou aumentar o salário mínimo. Para isso precisa de maior flexibilidade por parte das instituições, mas tudo indica que não vão lhe dar.

Essa mesma segunda-feira, o vice-chanceler alemão e ministro da Economia, Sigmar Gabriel, pediu ao Governo grego que se abstenha de fazer ataques verbais contra a Alemanha na disputa sobre a dívida grega, disse ao jornal "Bild".

O político social-democrata diz que respeita, que a Grécia quer apresentar as suas próprias propostas para superar a crise.

"Mas eu não posso tolerar são os constantes ataques contra a Alemanha e os ataques pessoais e insultos contra o incumbente alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, por parte dos representantes do governo grego", disse ele.

O titular da Defesa grego, Panos Kammenos, tinha difamado o ministro alemão para sua participação em uma das maiores crises da União Democrata Cristã (CDU), quando em 1999 um sistema de dupla contagem que o partido, então presidido por Schäuble, tinha conduzido ao longo de décadas para esconder doações ilícitas.

"Honestamente, o suficiente", disse Gabriel, acrescentando que esta situação não pode continuar e que "estes não são maneiras de se tratar".

Enquanto isso, em Atenas continuam as reuniões técnicas entre os representantes das instituições e do Governo grego e é esperado para chegar nos próximos dias um novo equipamento para coletar dados específicos, de acordo com a imprensa local.

Um membro da Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) já trabalham desde quinta-feira em questões orçamentárias, e terão a companhia dos novos membros no final de semana para tratar de questões financeiras relacionadas com o sistema bancário.

O desequilíbrio fiscal é o principal assunto nestes dias, pois as instituições prevém que o país terá um "buraco" fiscal 2 bilhões em 2015, se o superávit primário for entre 1% e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), como apontam as estimativas.

A mídia local diz que os técnicos trabalharam durante todo o fim de semana em um hotel no centro da capital grega, ainda que não mantiveram reuniões com outros funcionários do Ministério das Finanças.

Artigos relacionados: Internacional









  • Não há comentários para este artigo