Movimento Operário

BOLÃ VIA

A LOR-CI na Comissão Política da COB

26 Feb 2013   |   comentários

A LOR-CI [Liga Obrera Revolucionaria por la Cuarta Internacional - seção boliviana da FT] luta no interior da Comissão Política (CP) da COB com dois eixos centrais: o da independência política dos trabalhadores em relação ao governo do MAS, ao Estado, suas instituições repressivas (exército e polícia) e em relação aos representantes da burguesia (sejam políticos, militares ou padres). LEIA TAMBÉM: O ABSTENCIONISMO DO POR FAZ O JOGO DA BUROCRACIA DA (...)

A LOR-CI [seção boliviana da FT] luta no interior da Comissão Política (CP) da COB com dois eixos centrais: o da independência política dos trabalhadores em relação ao governo do MAS, ao Estado, suas instituições repressivas (exército e polícia) e em relação aos representantes da burguesia (sejam políticos, militares ou padres). A CP é composta por representantes de uma dezena de organizações sindicais nacionais, entre elas, mineiras e fabris. Sendo assim, não é politicamente homogênea e nela se expressam tendências, entre elas, o sindicalismo e o populismo radical.

Nossa participação na CP foi votada na “Cúpula operária e camponesa†de 2005, convocada pela COB para discutir o lançamento de um Instrumento Político dos Trabalhadores.

Podemos dizer com orgulho que nossa pequena organização ganhou um lugar destacado na luta operária e um reconhecimento que nos permite intervir como setor convidado na CP da COB, graças ao enorme esforço com o qual buscamos nos ligar ao movimento operário. Como consequência do ascenso de massas que teve seus picos mais altos no levantamento insurrecional de outubro de 2003 e nas jornadas de maio-junho de 2005, e sob as expectativas criadas pela ascensão de Evo Morales ao governo em 2006-2007, o movimento operário viveu um importante processo de reorganização ao qual contribuímos com nossas modestas forças. Centenas de trabalhadores da cidade de El Alto aproximaram-se da “Casa Operária e Juvenil†e, entre 2005 e 2008, participamos na organização de quase uma dezena de sindicatos e em diversas lutas, algumas vitoriosas e outras derrotadas.

Com a subida do MAS e Evo Morales ao governo, conseguindo cooptar uma grande parte da direção sindical de então, com promessas e regalias, a iniciativa de criar o IPT foi abortada. Contudo, desde 2010, os sindicatos vieram se afastando do governo e a burocracia sindical mais ligada ao MAS foi perdendo base. A partir da saída de Pedro Montes da COB no XV Congresso, em Tarija, as teses para o lançamento do Instrumento Político da COB foram desenvolvidas e sua discussão foi ganhando corpo nos meios sindicais.

Nesse cenário, a LOR-CI vem lutando, como assinalamos, pela organização politicamente independente dos trabalhadores, por um IPT organicamente baseado nos sindicatos e regido pela mais ampla democracia operária e por um programa operário, combatendo as tentativas dos distintos setores da direção de diluir os aspectos mais progressivos da iniciativa: a definição pela independência de classe, a relação entre os sindicatos e o partido a ser criado, a democracia operária e a liberdade de tendências etc. Buscamos abertamente que os sindicatos se elevem ao terreno político e que no partido da COB tenham uma representação proporcional a seu peso orgânico e seu papel na luta de classes; ao mesmo tempo, combatemos os projetos reformistas e populistas das distintas alas burocráticas para converter a iniciativa em mais um aparato eleitoral, escada para arrivistas de todo tipo e vazio de militância operária.

Lamentavelmente, os documentos em discussão são basicamente ecléticos, com muitas concepções reformistas em relação ao Estado burguês. Por isso, não nos fazemos responsáveis dos mesmos nem compartilhamos suas expressões. Afirmamos que não basta que se incluam expressões que defendam a independência de classe, mas sim é preciso que esses postulados básicos sejam traduzidos em pontos concretos de programas e resoluções que permitam lutar por eles na realidade. Por exemplo, sustentamos que o estatuto deve expressar claramente que cada organização sindical terá representação em todas as instancias do partido segundo seu peso na luta de classes, que as assembleias dos organismos de base devem discutir e aprovar as decisões de importância política. Além disso, deve ser levantado um programa de ação operária, que atualize e desenvolva a tradição das teses de Pulacayo, para que sejam os responsáveis pela crise capitalista que paguem por ela: os empresários e as transnacionais, recorrendo também às demandas camponesas e populares, como fim do latifúndio com uma verdadeira reforma agrária etc. Isso por que, partir da LOR-CI lutamos por um IPT que seja pela independência política da classe trabalhadora, também acreditamos que devemos discutir entre os trabalhadores, a necessidade da aliança revolucionária entre operários, camponeses, indígenas e setores populares empobrecidos. A classe operária deve tomar as demandas de todos os explorados para conseguir acaudilhar essa aliança. Somente com essa aliança poderá ser levada a cabo uma verdadeira revolução nas relações de propriedade agrárias, que praticamente não foram tocadas pelo governo do MAS, que se diz ser dos camponeses e povos originários, mas que na realidade não os representa.

Como trotskistas, consideramos que cada passo na organização politicamente independente dos trabalhadores melhora as condições para a construção de um partido revolucionário fortemente enraizado na classe operária e desde essa convicção intervimos no importante processo em curso na Central Operária Boliviana.

23/02/2013

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