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EDITORIAL

A CSP-Conlutas tem que se armar de um programa e uma estratégia classista e internacionalista para preparar a vanguarda frente àcrise mundial

29 Apr 2012   |   comentários

Mulheres, homens, operários, jovens... milhões despertam ao redor do mundo e saem a luta contra os ataques dos grandes empresários e seus governos, que tentam jogar em nossas costas a crise de seu próprio sistema! Dos ditadores de décadas como Mubarak até o capitalismo democrático dos “socialistas†do PASOK grego, todas as faces de um sistema social que só traz exclusão, desemprego e miséria começam a ser questionadas nos últimos anos com o avanço da crise. A juventude, sem futuro, educação e emprego, se levanta com toda fúria na Grécia e no Chile. Como fotos do que ainda virá em um grande filme, a energia dos jovens volta a se encontrar no calor das ruas e piquetes com a classe trabalhadora, como vimos no Egito e agora começamos a ver na Espanha. Em vários cantos do planeta os trabalhadores e o povo lutam: mas o que precisaremos para vencer? Aprender com os novos processos, resgatar as lições dos melhores combates históricos de nossa classe, e refletir sobre as principais conclusões de grandes teóricos como Marx, Engels, Lenin e Trotsky na luta pelo socialismo.

Para os trabalhadores e ativistas sindicais que estarão presentes ao Congresso da CSP-Conlutas, não é novidade que o “Brasil-potência†, o país da Copa e das Olímpiadas, a 6ª economia do mundo, só mostra sua exuberância nas mansões e nos banquetes de Eike Batista, Antonio Ermínio de Moraes, Cachoeira, Demóstenes, Serra, Alckmin, Lula e Dilma.

Mas o Brasil de verdade, dos empregos precários, rotatividade e endividamento, da violência policial e das humilhações diárias não pode ser escondido. A cara marcada desse país vem àtona com as grandes lutas da construção civil em Jirau, Belo Monte e nos estádios da Copa. Empresários, governo e burocracia sindical tentam de tudo para calar os lutadores, com Dilma militarizando os canteiros com a Força Nacional de Segurança e os empresários demitindo os ativistas dedurados pela burocracia.

A burocracia sindical, que paralisa os batalhões mais concentrados da nossa classe, tem nome: CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e outras centrais governistas que se enriquecem com o nosso esforço. Viram de costas para os operários em Jirau, para se abraçar em atos com os empresários da FIESP.

A CSP-Conlutas não pode se contentar em ser mais uma “Central†ao lado dessas, nem com fazer uma “oposição sindical†por dentro do mesmo regime em que o Estado capitalista dita todas as regras e os trabalhadores lutam apenas até onde lhes é determinado do alto.
Afastadas as primeiras ilusões de que a Conlutas tiraria as massas da influência da CUT de maneira por assim dizer “automática†após a experiência com o governo Lula/PT, esse Congresso precisa marcar uma virada para que a CSP-Conlutas assuma firmemente seu papel como um grande polo de reorganização da vanguarda operária e popular no país.

O principal trunfo que temos é a confiança plena na potência social dos milhões de trabalhadores brasileiros, somada a nossa convicção de que a luta dos trabalhadores e da juventude no mundo todo começa a apontar um caminho. Um caminho que precisa ser preparado com clareza frente a todos os desafios e dificuldades que a crise irá trazer ao nosso país. O caminho da independência política da burguesia e dos patrões, única via para os trabalhadores confiarem em suas próprias forças e construírem um futuro que valha a pena viver.

Para isso, a questão da democracia operária e da organização por local de trabalho, tema desse Congresso, adquire um papel vital. Pois para a nossa classe, despossuída de todos os meios de produção e de exercício do poder político, a sua própria organização democrática é a única fonte de potência.

A compreensão profunda dessa questão, ou seja, do caráter fundamental da luta pela autodeterminação dos trabalhadores desde o próprio local de trabalho até a criação dos organismos de poder operário em nível nacional, capazes de soldar a aliança com o conjunto do povo explorado e oprimido, é uma necessidade estratégica para a CSP-Conlutas, e por isso tem que permear cada uma das nossas ações práticas no movimento de massas.
Ao mesmo tempo, no contexto histórico em que vivemos, o internacionalismo da CSP-Conlutas não pode ser meramente verbal ou protocolar.

É preciso acompanhar e aprender da experiência da luta de classes internacional, e em primeiro lugar dos nossos países vizinhos, cujo proletariado constitui o primeiro e principal “aliado natural†da classe trabalhadora brasileira.

É preciso lutar para ser parte dessa mesma experiência. Para as tarefas preparatórias que a CSP-Conlutas está chamada a desempenhar, é preciso aprender de processos como a luta pela educação gratuita que adquiriu um caráter de massas no Chile em 2011. Porém sobretudo é preciso tirar todas as lições do processo (em grande medida “silencioso†) pelo qual vem se forjando o chamado “sindicalismo de base†na Argentina, que nada mais é do que o processo de formação de uma nova vanguarda classista, que pode vir a disputar uma verdadeira influência de massas.

Processos como o da fábrica de cerâmicas Zanon, que funciona há mais de dez anos sob controle operário, após ter sido ocupada pelos trabalhadores frente àameaça de fechamento na crise de 2001; experiências múltiplas como a do Metrô de Buenos Aires – com seu “corpo de delegados†independente da burocracia que dirige o sindicato oficial – e suas lutas vitoriosas pela jornada de 6h e pela efetivação de todos os terceirizados; combates como o das indústrias da Zona Norte de Buenos Aires, com o caso emblemático da luta da Kraft Foods que enfrentou o governo e a embaixada norte-americana com greve e grandes cortes de via.

A CSP-Conlutas, distante de qualquer vestígio de “estreiteza de aparato†, deve tomar de maneira verdadeiramente internacionalista as lições programáticas, de estratégia e de tática de cada um desses processos, justamente para poder cumprir com as tarefas preparatórias que hoje se colocam como antessala de sua missão histórica.

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