Nacional

PÃO E ROSAS

200 mulheres se reúnem na plenária nacional do grupo de mulheres Pão e Rosas

21 Aug 2013 | Construir um forte movimento de mulheres pelos nossos direitos e contra esta sociedade de opressão e exploração!   |   comentários

No dia 10 de Agosto, 200 mulheres decidiram os primeiros passos para a construção de um forte movimento de mulheres que possa atropelar a burocracia sindical e acadêmica, derrotar os patrões e os governos para conquistar nossos direitos.

No dia 10 de Agosto, 200 mulheres decidiram os primeiros passos para a construção de um forte movimento de mulheres que possa atropelar a burocracia sindical e acadêmica, derrotar os patrões e os governos para conquistar nossos direitos. Entre trabalhadoras terceirizadas da limpeza, merenda, operárias de fabricas, metroviárias, bancárias, trabalhadoras da USP, professoras, trabalhadoras precárias, donas de casa e estudantes secundaristas e universitárias de vários estados (SP, MG e RJ) se mostrou urgente que tomemos a tarefa de arrancar nossos direitos através de uma perspectiva anticapitalista e revolucionária.

A atividade teve início com a abertura de Silvana Ramos, trabalhadora terceirizada linha de frente da luta contra a precarização do trabalho na USP, e contando um pouco de como a luta que travou para receber o salário e os benefícios na greve da USP lhe aproximou da vida política e da necessidade de se organizar. Colocou a importância de hoje as mulheres se organizarem, já que são as que estão nos piores postos de trabalho, são oprimidas pela dupla (quando não tripla) jornada de trabalho e dos abusos (morais e sexuais) que sofrem. Dinizete Xavier, da Secretaria de Mulheres do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP, que apoiou ativamente as greves das terceirizadas em 2007, 2011 e 2013) apontou de como nossa luta está ligada a um questionamento ao Estado, resgatando em linguagem simples as definições de Engels sobre a origem da família, da propriedade privada e do próprio estado. E de como achamos que nossos inimigos não são os homens, mas sim o capitalismo.

Tristan, militante no Rio de Janeiro, partiu das mobilizações de junho e do papel que muitos sindicatos poderiam ter cumprido se tivessem forjado uma aliança dos trabalhadores com as centenas de milhares de jovens que saiam às ruas exigindo saúde, educação e transporte públicos, gratuitos e de qualidade. Colocou também de como a visita do Papa ao Brasil foi marcado por muita repressão e também muita hipocrisia, pois enquanto a voz das ruas gritava por serviços públicos decentes, o governo que dizia não ter dinheiro, gastava 118 bilhões dos cofres públicos para trazer o Papa para o Brasil.

Virginia, estudante da Fundação Santo André, discutiu sobre a ilusão que muitas mulheres tinham com a chegada de Dilma (PT) na presidência. Contou como desde a campanha eleitoral já demonstrava que não seria capaz de garantir nossos direitos, pois sua base de apoio, a fez desistir de defender a legalização do aborto, enquanto milhares de mulheres morrem todos os anos. Continuou com o acordo Brasil Vaticano feito por Lula favorecendo a Igreja Católica com isenções fiscais, vetou o kit anti-homofobia que levava para as escolas, desde a infância, a diversidade sexual e a necessidade de respeitá-la. E abriu espaço para que essa base aliada chegasse na Comissão de Direitos Humanos com Feliciano. Por isso, as mulheres não podiam ter nenhuma ilusão em Dilma, no PT ou nos patrões. Terminou lembrando de Rosa Luxemburgo, dirigente revolucionária alemã do século XX, que se colocava a tarefa de lutar por um mundo “onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres†.

A plenária teve fortes intervenções que se mesclavam entre relatos profundos da opressão nos locais de trabalho, estudo e até mesmo dentro de casa, e da discriminação que sofremos por sermos mulheres, trans, lésbicas, nordestinas, negras e terceirizadas, e de garra e muita ousadia em combater a opressão cotidiana, como dizia uma operária que lutou bravamente para poder participar de um acampamento de trabalhadores de uma fabrica na região de Campinas estando na linha de frente junto com os trabalhadores, assim como uma operária da ZO de SP que dizia ser sua primeira plenária e na próxima traria mais trabalhadoras. Jaciara, jovem trabalhadora lésbica, questionava como as instituições religiosas usam a fé de milhares de trabalhadoras àserviço de impor mais submissão da situação que vivemos e ainda por cima querem decidir com quem devemos nos relacionar e nossa identidade de gênero, impondo a heteronormatividade.

Rita Frau, professora, fez um forte chamado a construir o Pão e Rosas propondo que nas próximas semanas organizássemos reuniões por local de trabalho e estudo para debater as principais conclusões desta primeira Plenária Nacional. Queremos nestes próximos meses impulsionar seminários nas universidades sobre “Gênero e Marxismo†onde possamos aprofundar as bases marxistas de nossa estratégia e debatendo também com outras estratégias do feminismo.

A plenária ainda contou com a performance do grupo de teatro Mãos de Jeanne-Marie e com uma grande festa com a DJ Cecília Lara e Euber Ferrari.
Para saber mais leia o blog do Pão e Rosas: nucleopaoerosas.blogspot.com

No dia 30 de agosto: sejamos milhares nas ruas para defender as bandeiras das mulheres trabalhadoras e jovens junto àclasse trabalhadora

Levaremos como nossas bandeiras a luta contra a dupla jornada de trabalho defendendo creches, lavandeirias, refeitórios e escolas públicas e de qualidade garantidas pelo Estado. Também levaremos a bandeira pelo arquivamento do PL 4330 que quer aprofundar a terceirização que é uma das caras da precarização que tem rosto de mulher! Por isso lutamos pela efetivação de todas as terceirizadas sem concurso público e por trabalho igual, salário igual e direitos iguais! Queremos nesse dia também lutar por um sistema de saúde estatizado controlado pelos trabalhadores e usuários e que nosso direito de maternidade seja de fato assegurado e licença maternidade de 1 ano para todas as trabalhadoras efetivas e terceirizadas sem isenção fiscal para as empresas! Além disso, gritaremos basta de violência policial e assassinatos da juventude e trabalhadores negros das periferias e favelas! Cadê nossos filhos e maridos Amarildos e Ricardos?! Neste dia 30, sejamos milhares de mulheres trabalhadoras e jovens pelas ruas lutando por nossos direitos!

Preparar um forte 28 de setembro para barrarmos o estatuto do nascituro e arrancar o direito ao aborto

É fundamental que, até o dia latino americano e caribenho pela legalização do aborto, construamos campanhas visuais nos locais de trabalho e estudo e impulsionemos atividades e debates em frente-única para prepararmos um grande com atos de rua! Estaremos participando de atividades dos sindicatos e da CSP-Conlutas debatendo a luta contra a opressão das mulheres e o direito ao aborto, e achamos fundamental que as entidades estudantis, sindicatos, grupos de mulheres e direitos humanos impulsionem uma forte campanha por este “triste direito†, como dizia Leon Trotsky, mas elementar na vida das mulheres, e um plano de luta para arrancarmos o direito ao aborto e arquivarmos o Estatuto do Nascituro!. Basta de mortes por abortos clandestinos! Por educação sexual nas escolas para decidir! Contraceptivos gratuitos para não abortar! Aborto legal, seguro e gratuito para não morrermos!

Unesp de Marília-SP: mulheres se reúnem para organizar os próximos passos

Por Clismênia e Cris

A reunião de balanço da Plenária Pão e Rosas, no dia 16/08, contou com a presença de 25 mulheres, dentre estasm estudantes universitárias e do Cursinho Popular que tiveram na linha de frente na luta da greve da UNESP, trabalhadoras da saúde e terceirizadas da limpeza e professoras. Os depoimentos sobre a plenária foram muito moralizadores, colocando enfaticamente a importância da aliança operária-estudantil e a necessidade de nos organizarmos para lutar por nossos direitos frente a miséria do sistema capitalista. No próximo encontro, o grupo debaterá as Políticas do Governo Dilma/PT e os direitos das mulheres e homossexuais, no intuito de demonstrar que não é o fato da Dilma ser uma mulher, que nossos direitos estarão garantidos. Em breve serão organizadas outras atividades de formação teórica, de relançamento do grupo na cidade, além de estarmos compondo o cômite de aliança operária-estudantil de preparação para as paralisações de 30/08, e já iniciarmos o debate para pensar nossa articulação para o dia Latino Americano em defesa do aborto (28/09).

Carta da estudante secundarista Liliane para Julia, professora da rede estadual de SP na ZO

... "eu quero que saiba que fiquei super feliz por você ter me convidado para participar da reunião do dia Pão e Rosas, (...) e conhecer o Pão e Rosas (...) me despertou ainda mais a curiosidade de conhecer o outro, desvendar cada olhar e enxergar o ser humano.

Saí da reunião com um novo pensamento, com sorriso no rosto e olhar brilhar de esperança, de união, de força que senti naquele lugar, com todos os relatos de todas aquelas mulheres que se unem para exigir seus direitos, liberdade e prazeres. E foi você que me proporcionou toda essa experiencia me convidando, não sei mas acho que você enxergou em mim alguma razão e agora acho que sei, tantas histórias eu ouvi e tenho muitas pra contar. Quando cheguei em casa contei o quanto foi maravilhoso estar ouvindo gritos verdadeiros, gritos de união e de muita força todas aquelas guerreiras. E ainda tomei coragem pra dizer àminha mãe o quanto ela é guerreira e ela até chorou e também ela mesma tomou a iniciativa de querer ir comigo.
Pode contar comigo para ajudar como eu puder o Pão e Rosas no que vocês precisarem".
Veja a carta na íntegra no blog do Pão e Rosas

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