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15 fatos que não podemos esquecer na virada do ano

31 Dec 2014   |   comentários

Fim de ano é para a maioria das pessoas um momento para relaxar, descontrair, esquecer os problemas, curtir e festejar com os amigos e familiares e planejar o próximo ano que está por vir. Nesta época parece que magicamente a vida se torna mais leve por algumas semanas ante de voltar tudo aparentemente renovado. Nada mais justo depois de um ano de trabalho exaustivo, não é (...)

Fim de ano é para a maioria das pessoas um momento para relaxar, descontrair, esquecer os problemas, curtir e festejar com os amigos e familiares e planejar o próximo ano que está por vir. Nesta época parece que magicamente a vida se torna mais leve por algumas semanas ante de voltar tudo aparentemente renovado. Nada mais justo depois de um ano de trabalho exaustivo, não é mesmo?

O problema é que a classe dominante (patrões, empresários e políticos burgueses) utilizam esta data, justamente pelo fato de todos estarem inflados de espírito festivo, para aplicar medidas que atacam o trabalhador e para “anestesiar†descontentamentos. Os 15 pontos que se seguem abaixo são acontecimentos desse tipo que não podemos esquecer durante a virada do ano.

1) Demissões na industria e flexibilização do trabalho: Os industriais, para não reduzir seu lucro, demitiram em 2014 centenas de milhares de operários. Só em São Paulo o número chegou a 130 mil segundo a Fiesp. Mais de 40 mil demissões ocorreram entre novembro e dezembro. Junto com isso, as centrais sindicais governistas e as patronais elaboraram com o governo Dilma o PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que flexibiliza o trabalho de milhares de operários.

2) Duzentena na educação: Milhares de professores categoria O do Estado de São Paulo então enfrentando agora a duzentena, momento em que seu contrato vence e ficam impedidos 200 dias de lecionar na rede, consequentemente, passam 200 dias sem receber.

3) Demissões políticas no transporte: Os 23 metroviários reincorporados (42 foram demitidos na última greve) foram novamente demitidos na véspera de Natal. Este “presente†natalino dado pelo governo Alckmin é claramente um ataque ao direito constitucional de greve conquistado pelos trabalhadores. Os cobradores de ônibus grevistas, que fizeram sua greve atropelando a burocracia mafiosa de seu sindicato, também estão sofrendo perseguições e demissões pela prefeitura de Haddad (governo dito dos trabalhadores).

4) Aumento da passagem: Alckmin e Haddad já anunciaram que estão juntos para ajustar o preço da passagem de ônibus e metrô em São Paulo. O valor de R$3,00 passará a ser de R$ 3,50. É como se os protestos do ano passado não tivessem servido de nada para eles.

5) Projeto Nova Luz: Também em São Paulo, começou agora no fim do ano a nova etapa do Projeto Nova Luz. Com isso, várias desocupações foram feitas e milhares de famílias sem-teto passam a virada sem lar. Já está anunciada também para os primeiros dias de janeiro uma violenta operação policial na conhecida cracolândia. Em outros anos em que operações policiais similares foram realizadas na região, o que se viu foi um verdadeiro espetáculo de barbárie.

6) Inflação: A inflação continua subindo de forma galopante. Qualquer um que vai no mercado fazer compras sente isso, o que faz nosso salário (e consequentemente nosso trabalho) valer menos.

7) Salário dos políticos e salário mínimo: Foi aprovado nos últimos dias um escandaloso ajuste nos salários dos deputados federais, senadores e juízes de alto escalão. Estes passarão a receber R$ 33,7 mil por mês. Este aumento terá o custo estimado de R$ 3,8 bilhão de reais. Enquanto isso, o reajuste do salário mínimo de R$ 724,00 para R$ 788,06 terá o custo de R$ 1,2 bilhão de reais . Este valor representa apenas um terço do que será gasto com o aumento dos privilégios dos políticos e um valor infinitamente menor do que é gasto em dívidas públicas para capitalistas estrangeiros.

8) Corte em benefícios trabalhistas: O governo Dilma aprovou agora no fim do ano um corte de R$ 18 bilhões de reais benefícios trabalhistas como concessão de abono salarial, seguro desemprego e pensão por morte e auxílio-doença, impondo novas regras para seu acesso tornando-o mais rígido.

9) Ministros conservadores: Falando de governo Dilma, não podíamos deixar de mencionar que o governo do Partido dos Trabalhadores acaba de anunciar 13 integrantes de seu novo ministério, tendo entre eles grandes nomes da direita conservadora, como por exemplo, Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura (ruralista conhecida por sua inimizade com os trabalhadores sem-terra) e Cid Gomes para o Ministério da Educação ( é dele a revoltante frase “professor é vocação, quem está interessado em ganhar dinheiro que vá para outra profissão†).

10) Crise na Petrobrás: Não esquecemos também que o caso da Petrobrás continua em aberto. Um dos piores escândalos de corrupção dos últimos tempos, em que de um lado se coloca os que querem manter tudo como está como se tudo fosse uma calúnia da direita (governistas) e do outro lado os que querem aproveitar a situação para privatizar a Petrobrás (PSDB) e atacar os trabalhadores.

11) Impunidade dos torturadores: Mesmo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, onde se denuncia diversas empresas que financiaram o regime e se encontra diversos nomes de torturadores, o governo Dilma se nega a revogar a Lei de Anistia, deixando impune os responsáveis por um dos episódios mais aterrorizantes de nossa história.

12) Crise da água: A crise da água continua apesar de ter sumido da grande mídia. A população continua sofrendo com os racionamentos noturnos (justamente no horário que voltam do trabalho) enquanto a elite continua tomando seu banho de piscina.

13) 43 estudantes desaparecidos: No México, em uma das maiores crises políticas de sua história recente, os 43 estudantes normalistas (espécie de magistério) continuam desaparecidos, após a denuncia de terem sido entregues ao narcotráfico pela polícia. Os 43 eram conhecidos por lutar por melhorias na educação pública.

14) Impunidade nos Estados Unidos: Os policiais que assassinaram Mike Brown em Ferguson e Eric Garner em Nova York permanecem soltos e impunes, mesmo com as ondas de protestos. Estes casos põe em relevo o racismo ainda presente na sociedade americana e nos faz pensar quantos jovens negros também são mortos no Brasil pela polícia.

15) Assassinatos de homossexuais e violência contra as mulheres: Este também foi um ano que trouxe a tona a morte de jovens homossexuais, uma grandeviolência homofóbica e números torturantes da situação de violência que vivem as mulheres, com mais de 50 mil estupros por ano no Brasil, sem falar nas milhares de mulheres mortas por abortos clandestinos.

Para não desanimar: Por fim, para não desanimar o leitor após tudo isso, gostaria de lembrar que 2014 foi um ano em que tivemos grandes exemplos de resistência. As vitoriosas greves dos garis do Rio de Janeiro e dos trabalhadores da Universidade de São Paulo, entre outras, assim como os levantes dos mexicanos e do povo negro americano mostraram que sim (!) é possível não ceder a tudo isso. A vitória dos indomáveis da fábrica Lear na Argentina também aponta nesta perspectiva. Os trabalhadores e oprimidos unidos podem fazer frente a tudo isso, tomando para si a tarefa de acabar com essa sociedade de opressão e exploração.

O autor desse texto deseja que nessa virada de ano o leitor aproveite para curtir, ter o merecido descanso, mas que para isso não feche os olhos para nada, e que em 2015, se incendeie com o espírito de Zumbi dos Palmares e Toussaint Louverture do Haiti, e também grandes dirigentes revolucionários como Lenin e Trotsky, figuras que não aceitaram o mundo como ele é e passaram a dedicar suas vidas a transformá-lo.

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