Terça 25 de Junho de 2019

Nacional

Editorial

10 anos do PT no poder: a terceirização e a precarização da vida no governo Dilma

06 Apr 2013   |   comentários

Completados dez anos do PT a frente do governo federal, muita propaganda vem sendo feita em torno do “Decênio que mudou o Brasil†. Na ofensiva, a cúpula petista saí a organizar cartilhas e seminários em várias capitais para contrapor dois projetos supostamente antagônicos de país.

Completados dez anos do PT àfrente do governo federal, muita propaganda vem sendo feita em torno do “Decênio que mudou o Brasil†. A cúpula petista saí na ofensiva organizando cartilhas e seminários em várias capitais para contrapor dois projetos supostamente antagônicos de país. O neoliberal, comandado pelo PSDB de 1995 a 2002, privilegiava as elites e o imperialismo. E o desenvolvimentista, encabeçado pelo PT, a partir de 2003 e que se arrasta até os dias de hoje, supostamente associando o crescimento econômico ao combate àdesigualdade social e àmiséria. Com esse discurso, o objetivo é criar uma falsa polarização que tenta esconder a profunda continuidade existente entre os governos FHC e Lula/Dilma. Além de manter a estrutura da política econômica e social de inspiração neoliberal, permanece o essencial: o caráter de classe. Ambos governam para os capitalistas, contra os trabalhadores.

Com os ventos a favor da economia mundial durante grande parte do governo Lula (que permitiu a valorização do preço das commodities e grande fluxo de capitais ao Brasil), mas que agora é alvo de dúvidas por conta da crise internacional, e arrecadação crescente, os governos Lula/Dilma puderam transformar a herança neoliberal em “avanço social†. A redução no índice de desemprego (através da criação de postos de trabalho precários), o aumento no poder de compra do salário mínimo e no nível de crédito disponível ao consumo são elementos que explicam a alta popularidade do governo. Além disso, o destino de uma parcela reduzida da arrecadação para programas de transferência de renda como Bolsa Família, Brasil Sem Miséria e Brasil Carinhoso como uma “preocupação com o povo†. Porém, estes programas são menos que migalhas comparadas aos incentivos aos grandes empresários por meio do BNDES e outras vias. Estes programas que, apesar de elevar o nível de renda das famílias mais pobres, não mudam substancialmente suas condições de vida no que diz respeito a transporte, moradia, saneamento básico, saúde e educação.

Ou seja, vemos ainda que na década petista avança a precarização da vida da população pobre, mostrando a verdadeira mentira deslavada que é o discurso de Dilma de erradicação da miséria extrema no Brasil (num discurso demagógico de “fim da miséria até o final de 2014“ em meio ao ambiente político atual de antecipação das eleições presidenciais para 2014 e que busca manter sua popularidade nas camadas mais pobres da população brasileira). Mentira esta escancarada na falta de infraestrutura básica para grande parte da população que todos os anos enfrentam a tragédia anunciada da seca no nordeste e semiárido e as enchentes e desabamentos de terra no sudeste (RJ e SP), que não possui água encanada e rede de esgoto (segundo o IBGE 2009, metade da população brasileira não tem acesso àrede de esgoto), hospitais, creches e escolas públicas, uma população que ainda se depara brutalmente com o avanço de um projeto de país que tem sido levado àfrente pelo PT em base a repressão policial nos morros, favelas e aos movimentos sociais.

Desde os primeiros momentos de governo, Lula já mostrou ao que veio: promoveu em 2003 as reformas neoliberais da Previdência e Universitária, ambas idealizadas e arquitetados por FHC em conluio com o Banco Mundial e o FMI. No campo, manteve intacta a estrutura agrária latifundiária herdeira do sistema colonial e da Lei de Terras de 1850, estruturada para impossibilitar o mínimo acesso àterra aos escravos libertos. Não se avançou um milímetro na reforma agrária, pelo contrário, reforçou os privilégios e o financiamento ao agronegócio, ampliando inclusive a participação do capital estrangeiro no setor. Política que promove o extermínio das populações indígenas e os saques de suas terras. No governo “pró-povo de Lula e Dilma†, o que resta para a luta dos trabalhadores e camponeses sem terra no país é repressão e assassinatos, para os latifundiários e as grandes multinacionais do agronegócio o saldo de uma década é mais do que positivo: lucros recordes e expansão para outros países como o Paraguai. A recente indicação de Blairo Maggi (PR), representante dos latifundiários desse país, para a Comissão do Meio Ambiente, é um exemplo que não deixa dúvidas.

Nestes 10 anos, a face “menos pior†do capitalismo brasileiro não pensou duas vezes antes de mandar as tropas da Força Nacional para controlar as greves e prender os operários das obras do PAC, ou então atacar o direito de greve dos servidores públicos ao cortar pontos e substituir trabalhadores parados. Nos últimos dias, foi tornada pública a denuncia de que, há cerca de um mês, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) vem monitorando os operários do porto de Suape em Pernambuco que ameaçam puxar uma greve nacional contra a privatização dos portos. A ação, que conta com métodos ilegais de espionagem e infiltração de agentes, foi diretamente designada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ligado àpresidência da república. Enquanto isso, segue a conivência com as centenas de assassinatos de líderes do movimento sem-terra no campo pelas mãos de pistoleiros e jagunços dos grandes latifundiários aliados do governo.

Atualizado em 10 de abril

Artigos relacionados: Nacional









  • Não há comentários para este artigo